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Estudo propõe forma de calcular risco de adolescentes desenvolverem depressão no futuro

Mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão em todo o mundo. Quando surge na infância ou na adolescência, a doença pode ter um impacto ainda mais grave, prejudicando o desempenho escolar, o trabalho e os relacionamentos. Ela está associada ao abuso de drogas, a maior número de episódios depressivos ao longo da vida, e ao suicídio – segunda principal causa de morte evitável entre jovens.

E se fosse possível prever qual a chance de um adolescente ter depressão no futuro?

Este foi o tema do artigo publicado pelo Dr. Thiago Botter Maio Rocha, médico psiquiatra do Hospital Moinhos de Vento. Confira o resultado desta pesquisa pioneira que apresentou uma forma de calcular os riscos de depressão em adolescentes, lançando uma luz sobre a possibilidade de avançarmos na prevenção desses casos.

Recentemente publicado na mais importante revista do mundo sobre psiquiatria da infância e adolescência, Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, esse estudo liderado por pesquisadores brasileiros, em parceria com pesquisadores da Inglaterra e Nova Zelândia, apresentou uma forma de calcular o risco de um adolescente desenvolver depressão mesmo antes do aparecimentos dos sintomas.

Inspirados em estratégias já utilizadas em outras áreas da medicina, quando fatores como pressão alta, diabetes ou tabagismo são utilizados para medir o risco de infarto ou derrame, os autores buscaram desenvolver uma maneira de calcular o risco futuro de depressão em adolescentes ainda saudáveis.

A partir de uma amostra de 2.192 adolescentes nascidos no ano de 1993 na cidade de Pelotas/RS, os autores usaram informações simples, como características pessoais e situações vivenciadas ao longo da vida de cada adolescente, sem necessidade de exames complexos, para construir um escore de risco para depressão futura. Após o desenvolvimento e validação na população brasileira, esse escore foi validado em amostras de pessoas da Inglaterra e da Nova Zelândia, mostrando resultados promissores.

“Nosso objetivo foi desenvolver uma ferramenta útil e aplicável para auxiliar clínicos e pesquisadores a identificar aqueles adolescentes com maior risco de desenvolver um quadro depressivo. Isso pode nos ajudar a entender porque alguns jovens desenvolvem a doença e outros não, e talvez avançar na possibilidade de prevenção desses quadros”, explica Thiago.

A ferramenta, que ainda não é recomendada para o uso clínico, está servindo de base para o projeto Identificando Depressão no Início da Adolescência (IDEA, em inglês The Identifying Depression Early in Adolescence), uma rede de colaboração de pesquisadores do Reino Unido, Brasil, Nigéria e Nepal que tem como meta reduzir o impacto da depressão na adolescência no mundo. “Nossos resultados ainda são iniciais, mas demos um primeiro e significativo passo na direção desse desafiador objetivo”, conclui o especialista.

Confira o artigo completo através do site.

Fonte: Dr. Thiago Botter Maio Rocha (CRM: 31966), médico psiquiatra do Hospital Moinhos de Vento, especialista em psiquiatria da infância e adolescência, autor principal do artigo.