Especialistas reunidos no Hospital Moinhos de Vento defendem mais investimentos, integração e parcerias público-privadas para acelerar descobertas e beneficiar pacientes

 

Com participação ativa nos principais ensaios clínicos do mundo, estudos publicados nas mais prestigiadas revistas científicas e investimentos crescentes em inovação e pesquisa em saúde, o Brasil vive um momento estratégico para transformar potencial em referência internacional. Nesse cenário, o Hospital Moinhos de Vento reforça seu protagonismo ao reunir alguns dos maiores nomes e instituições nacionais para discutir questões estruturantes e traçar caminhos para o fortalecimento da pesquisa clínica no país.

Esse foi o objetivo do Clinical Research Summit, realizado na última sexta-feira (8), em Porto Alegre, que contou com representantes do governo, pesquisadores, indústria farmacêutica, instituições de saúde e órgãos reguladores. O encontro buscou alinhar estratégias para ampliar o acesso de pacientes a novos tratamentos, acelerar descobertas e conectar a ciência brasileira às demandas reais da população. Para o CEO do hospital, Mohamed Parrini, a resposta está na conexão. “A ciência nasce da colaboração entre pessoas. Ao integrar assistência, medicina e pesquisa, temos a oportunidade de gerar inovação e desenvolvimento para o país”, afirmou.

 

Peter Libby e a coragem na pesquisa científica

A apresentação mais aguardada do evento foi a do cardiologista e professor da Harvard Medical School, Peter Libby, com a palestra “Inflammation – a unifying feature of many diseases”. Ele explicou que a inflamação representa um mecanismo fisiopatológico comum a muitas enfermidades e compreender esse processo pode oferecer uma base comum para investigação, prevenção e tratamento em várias áreas da medicina.

Libby destacou a importância da pesquisa clínica para aprofundar o conhecimento sobre as doenças, suas semelhanças e inter-relações. Encorajou os cientistas a se aventurarem em projetos ousados, afirmando que “é preciso persistência e coragem para assumir projetos especulativos e arriscados, porque é assim que se alcançam as maiores recompensas”.

Além disso, comentou que entende que a Inteligência Artificial vai mudar a forma como o médico lida com as questões do dia a dia, como o auxílio na interpretação de ecocardiogramas até angiogramas. No entanto, mantém uma visão otimista dessa realidade, acreditando que o uso de IA vai libertar o médico para ser médico. “Não ficaremos presos a um computador durante a consulta, mas sim livres para olhar e interagir com o paciente, conversando com ele e praticando o verdadeiro coração da nossa profissão — que é cuidar de pessoas e não de máquinas”.

 

Pesquisa como soberania nacional

No painel “Entre potencial e protagonismo: o Brasil pode ser referência global na pesquisa médica?”, a diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Meiruze Freitas, destacou que a prevenção é a estratégia mais eficaz em saúde pública. Por isso, o fomento a novas vacinas e tratamentos é uma das prioridades do órgão. Ela também defendeu a criação de um Programa Nacional de Pesquisa Clínica com base sólida, financiamento sustentável e articulação entre as etapas pré-clínica e clínica.

O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallas, comentou que, durante a pandemia, a articulação entre centros de pesquisa, setor público, sociedade civil e instituições de ensino colocou o Brasil entre os principais colaboradores para a aprovação das vacinas contra a Covid, exemplo que deve se tornar prática constante. Já o professor emérito de epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), César Victora, reforçou que o propósito maior da ciência é aliviar o sofrimento humano, com impacto ampliado quando desenvolvido em redes colaborativas.

O consenso entre os participantes foi que transformar o potencial nacional em protagonismo mundial requer investimentos estratégicos, formação de especialistas, integração global e segurança regulatória — especialmente em áreas como vacinas, medicamentos e doenças crônicas.

O debate contou ainda com a moderação da chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Moinhos de Vento, Sheila Ouriques Martins, além da presença do pesquisador da Academic Research Organization do Hospital Israelita Albert Einstein, Raul Santos, e do coordenador de Pesquisa Clínica em Medicamentos e Produtos Biológicos (Copec/Anvisa), Claudiosvam Martins Alves de Souza.

 

Parcerias e inclusão no centro do debate

Na mesa-redonda “Construindo pontes: o poder da colaboração público-privada na pesquisa clínica”, representantes da Fiocruz, da Sanofi no Brasil e dos hospitais Moinhos de Vento e Albert Einstein defenderam que o avanço científico no país depende de alianças estruturadas e duradouras, capazes de conectar governo, indústria, universidades e sociedade civil.

Os painelistas também ressaltaram a importância de um programa nacional com metas definidas, orçamento estável e gestão integrada. A proposta deve priorizar a inclusão e diversidade, com maior presença de pacientes de regiões remotas, representatividade de gênero e raça, fortalecimento dos centros regionais e alinhamento com as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre os caminhos para consolidar esse modelo, destacam-se: levar a ciência para o cuidado direto ao paciente, estabelecer redes colaborativas, criar soluções tecnológicas e metodológicas que viabilizem novos estudos, escutar a voz dos usuários desde o início dos projetos e entender suas reais demandas.

O encerramento do evento contou com o anúncio da produção de um artigo científico sobre o panorama atual da pesquisa clínica no Brasil, com participação dos palestrantes e coordenação do Hospital Moinhos de Vento. Foi confirmada também a segunda edição do Clinical Research Summit, marcada para junho de 2026.

 

Pesquisa Moinhos: ciência conectada ao paciente

O Instituto de Pesquisa Moinhos foi criado em 2014 e, hoje, é um dos mais ativos do país. São mais de 200 estudos clínicos em andamento, abrangendo mais de 40 especialidades. Além de participar de pesquisas lideradas por outras instituições, o Hospital já liderou mais de 30 estudos multicêntricos desde 2015, grande parte em parceria com o Ministério da Saúde por meio do programa PROADI-SUS. O Moinhos ainda conta com uma unidade exclusiva – a Academic Research Organization (Unidade de Ensaios Clínicos) – única da região Sul dedicada à liderança e coordenação de ensaios clínicos.

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