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Surto de sarampo alerta para importância da vacinação

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil enfrenta dois surtos de sarampo centralizados no Amazonas e em Roraima. O último relatório publicado apontou que, juntos, eles somam 791 casos confirmados. Com 23 casos de sarampo confirmados em 2018, sendo 16 em Porto Alegre, o Rio Grande do Sul tem o maior número de casos da doença desde o começo dos anos 2000.

 

Para o Dr. Paulo Ernesto Gewehr Filho, infectologista do Hospital Moinhos de Vento, a situação é decorrente das baixas coberturas vacinais. Em 2017, conforme o Ministério da Saúde, 85,21% da população havia tomado a primeira dose (tríplice viral) e 69,95%, a segunda (tetraviral).

 

Para reverter o quadro nacional, o Ministério da Saúde definiu a meta de 95% da população-alvo estar devidamente vacinada. De acordo com o Dr. Paulo, a cobertura vacinal diminui as chances de propagação do sarampo e destaca que esse cuidado não beneficia apenas o indivíduo, mas todos com quem ele obtiver contato. No caso das pessoas que apresentam contraindicações à vacina, a imunização dos familiares, dos colegas de trabalho e dos amigos reduz as chances de transmissão da doença.

 

O sarampo é uma doença infecciosa aguda grave, de natureza viral, propagada por pequenas gotículas expelidas através da fala, da tosse e do espirro. Pode ser transmitida facilmente, podendo ser contraída por pessoas de qualquer idade. A vacinação é a única maneira de se prevenir.

 

Prevenção:

O Ministério da Saúde recomenda a vacinação de rotina contra o sarampo para todas as crianças a partir dos 12 meses. Na rede pública, ela é dividida em duas doses: a primeira aos 12 meses, com a vacina tríplice viral (sarampo-caxumba-rubéola), e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (sarampo-caxumba-rubéola-varicela). Dos cinco até os 29 anos, são indicadas duas doses, com intervalo de 30 dias. Já dos 30 até os 49 anos, uma dose é suficiente.

 

Na rede privada, conforme a Sociedade Brasileira de imunizações (SBIm), a vacinação de rotina deve ocorrer a partir dos 12 meses, com duas doses de tetraviral ou tríplice viral aos 12 e aos 15 meses de idade. Do ponto de vista de proteção individual, adolescentes e adultos também precisam fazer as duas doses. Caso o idoso não tenha sido exposto ao vírus, por infecção ou vacinação no passado, ele estará desprotegido e se beneficiaria com a imunização.

 

Apenas em situações de risco, como viagens para regiões que enfrentam surtos ou epidemias, a imunização deve ser iniciada aos 6 meses de idade, sendo necessário seguir o calendário de rotina com mais duas doses aos 12 e 15 meses. O Dr. Paulo explica que a criança que receber a dose adiantada antes dos 12 meses necessita ainda as duas doses de rotina, a partir dos 12 meses.

 

Em Porto Alegre, na rede pública, a Campanha de Vacinação Contra Sarampo e Poliomielite acontecerá entre os dias 6 a 31 de agosto deste ano. A campanha atual é dirigida somente ao público de crianças entre 12 meses e 4 anos de idade. As orientações para as demais faixas etárias é de estar em dia com o calendário de vacinação. Conforme o Dr. Paulo, adultos que já receberam duas doses válidas e possuem o registro da vacina recebida estão em dia e não precisam repetir.

 

Contraindicações:

  • Menores de 6 meses de idade.
  • Pacientes imunodeprimidos.
  • Gestantes.
  • Recomenda-se que a mulher espere 30 dias após a vacina para engravidar, devendo fazer uso de métodos contraceptivos neste período.
  • Pacientes que irão fazer uso de drogas imunossupressoras devem aguardar 30 dias após a vacinação para início do tratamento. Já aqueles que estão fazendo uso de drogas imunossupressoras não podem receber a vacina e devem discutir com o seu médico o período indicado.
  • Indivíduos alérgicos a qualquer componente da vacina, inclusive o ovo, devem discutir o caso com o seu médico.

 

 

Transmissão:

A transmissão ocorre entre quatro e seis dias antes e após o aparecimento do exantema (lesões cutâneas). Segundo o Ministério da Saúde, 90% das pessoas contraem a doença ao entrar em contato com alguém contaminado, objetos reutilizados e/ou secreções. A doença dá imunidade definitiva, não sendo necessário tomar a vacina.

 

Sintomas:

Uma vez realizado o contágio, o período de incubação é de 10 dias (7 a 18) até o aparecimento dos primeiros sintomas. Poucos dias após a contaminação, iniciam-se as lesões de pele, geralmente localizadas no tronco. Tosse, coriza, vermelhidão nos olhos e febre também estão entre os sintomas da doença.

 

Tratamento:

Não existe tratamento específico para o sarampo. Recomenda-se a administração da vitamina A em crianças, com o objetivo de impedir o agravamento da doença para um quadro fatal.

 

Fonte:  Dr. PAULO GEWEHR FILHO, INFECTOLOGISTA, COORDENADOR DA UNIDADE DE VACINAS. CRM 29512.