Você sabia que a doação de órgãos evoluiu muito? Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, coração, fígado, pulmões, intestino, pâncreas e rins podem ser doados. Além disso, tecidos (como a córnea e a pele), ossos, valvas cardíacas e a medula óssea também podem ser transplantados. Destes, talvez o procedimento que ainda cause mais dúvidas na população seja o transplante de medula óssea. Por este motivo, conversamos com a Dra. Júlia Plentz Portich, especialista em Transplante de Medula Óssea e hematologista do Hospital Moinhos de Vento.

O que é o transplante de medula óssea?

Dra. Júlia Plentz Portich - O transplante de medula óssea – hoje também chamado de transplante de células-tronco hematopoiéticas – é um procedimento que substitui a medula doente por células saudáveis, capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas normais.

Como funciona o transplante de medula óssea em pacientes com leucemia?

Dra. Júlia Plentz Portich - Em pacientes com leucemia, a medula óssea produz células cancerígenas que impedem o funcionamento normal do sangue. O transplante permite “resetar” (ou “reiniciar”) o sistema hematológico, utilizando células saudáveis de um doador compatível ou do próprio paciente (dependendo do tipo de transplante).

Quais são as etapas do transplante de medula óssea em pacientes com leucemia?

Dra. Júlia Plentz Portich - O processo inclui as seguintes etapas:

1. Quimioterapia intensiva e/ou radioterapia para destruir a medula doente;

2. Infusão das células-tronco saudáveis, semelhante a uma transfusão;

3. Fase da aplasia e pega da medula: período em que essas células se instalam na nova medula e passam a produzir células normais.

Em que situação o transplante de medula óssea é indicado?

Dra. Júlia Plentz Portich - Em se tratando de leucemias, o transplante é indicado, principalmente, quando:

- A doença é de alto risco genético ou molecular;

- Houve recaída após o tratamento inicial;

- Há resistência ao tratamento;

- Em alguns casos, como Leucemia Mielóide Aguda e a Leucemia Linfóide Aguda, ele pode ser indicado logo após a primeira remissão.

O que interfere na decisão de realizar o transplante de medula óssea?

Dra. Júlia Plentz Portich - A decisão é baseada em fatores como o tipo e o subtipo da leucemia, a resposta à quimioterapia, a idade, as comorbidades do paciente e a presença de doadores compatíveis.

Como descobrir a compatibilidade entre os envolvidos?

Dra. Júlia Plentz Portich - A compatibilidade é determinada por um exame chamado tipagem HLA (Antígeno Leucocitário Humano), que compara marcadores genéticos entre o doador e o receptor. Assim, quanto maior a compatibilidade, maior a chance de sucesso e menor o risco de complicações, como a doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH). Os irmãos têm cerca de 25% de chance de serem 100% compatíveis. Mas, quando não há compatibilidade na família, busca-se um voluntário no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) ou no banco internacional.

O Hospital Moinhos de Vento realiza este tipo de transplante?

Dra. Júlia Plentz Portich - Sim. O Moinhos de Vento é o único hospital privado do Sul do país que realiza todos os tipos de transplante em crianças e adultos: 

- Autólogo, onde o paciente é seu próprio doador; 

- Alogênico aparentado (incluindo haploidênticos), onde o doador é alguém da família (como irmãos, pai e mãe); 

- Alogênico não-aparentado, onde encontramos um doador fora da família ou células de cordão umbilical que estão registradas em bancos nacionais ou internacionais para doações a serem realizadas no mundo todo.

Onde funciona o programa de Transplante de Medula Óssea do Moinhos?

Dra. Júlia Plentz Portich - O programa de Transplante de Medula Óssea do Hospital funciona em uma área específica, planejada e construída pensando nas internações que podem ser prolongadas e na necessidade de conforto e segurança, tanto do paciente, quanto dos familiares que estarão vivendo a experiência deste procedimento. Todo o processo é conduzido com foco na segurança, controle rigoroso de infecções e suporte integral e multidisciplinar ao paciente.

Como é o agendamento?

Dra. Júlia Plentz Portich - O paciente pode realizar o agendamento de uma avaliação com o médico transplantador, pelo telefone (51) 3314-3434 ou ter indicação médica. 

Sendo que o serviço de Hematologia do Hospital Moinhos de Vento fica localizado no Bloco B, da Rua Tiradentes, número 333, no 2º andar, em Porto Alegre (RS).

De forma geral, quais são os exames necessários antes do procedimento?

Dra. Júlia Plentz Portich - Antes do transplante, o paciente passa por uma avaliação com o médico transplantador. Diversos exames são realizados e dependem do caso de cada paciente:

- Tipagem HLA (para encontrar um doador compatível);

- Exames de sangue completos (para verificar a função renal, hepática, sorologias, etc);

- Biópsia de medula óssea, se necessário;

- Exames de imagem, como tomografias e ecocardiograma, conforme o caso;

- Avaliação da função pulmonar.

Além disso, o paciente também é submetido a uma avaliação multidisciplinar com as equipes da Enfermagem, Nutrição, Psicologia, Farmácia, Fisioterapia, Apoio Pastoral e Odontologia. Estes profissionais participam do acolhimento e acompanhamento do caso.

Fonte: Dra. Júlia Plentz Portich (CRM 42592/RQE 39064 e 40173) é especialista em Transplante de Medula Óssea e hematologista do Hospital Moinhos de Vento.

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