Tontura, visão turva, formigamento, dificuldade para falar ou até um desmaio. Nem sempre é fácil identificar quando um sintoma aparentemente passageiro pode sinalizar uma situação de maior gravidade. Em casos de emergência médica, reconhecer os sinais de alerta e buscar atendimento rapidamente pode fazer a diferença. Para esclarecer dúvidas e trazer exemplos práticos do dia a dia, o Blog Saúde e Você entrevistou o Dr. João Pedro Bidart, chefe do Serviço de Emergência do Hospital Moinhos de Vento. 

Afinal, o que é uma emergência médica?

Dr. João Pedro Bidart - Uma emergência médica é toda a situação que traz um risco de vida iminente, precisando ser abordada de forma imediata.

Quais são as situações de emergência mais comuns?

Dr. João Pedro Bidart - Diversas situações podem ser consideradas emergências médicas. Podemos citar como as mais comuns:

- A sepse (popularmente conhecida como infecção generalizada);

- O infarto agudo do miocárdio;

- A parada cardiorrespiratória;

- O Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Quando é preciso buscar auxílio especializado?

Dr. João Pedro Bidart - Deve-se buscar atendimento de emergência com brevidade quando o paciente apresenta os sinais vitais alterados, como pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória, baixa saturação na oximetria de pulso e sinais sugestivos de disfunção orgânica, tais como:

- Alteração do estado mental;

- Sangramento;

- Pronunciadas alterações mucocutâneas (lesões, inflamações ou modificações intensas, evidentes e graves que afetam simultaneamente a pele - região cutânea - e as mucosas).

O que, exatamente, a Medicina considera “mal súbito”? Esse termo é usado de forma adequada?

Dr. João Pedro Bidart - O termo “mal súbito” é muito amplo, utilizado pelo público leigo para definir qualquer tipo de alteração aguda que ocorre em uma pessoa. 

Estas alterações podem variar amplamente, desde dores no peito, crises convulsivas, febre de origem inexplicada ou alterações do sensório (como estado de consciência ou percepção). 

Não é um termo considerado de uso entre os profissionais da Saúde justamente por ter uma conotação muito ampla.

Um pico de pressão pode causar alterações na fala ou outros sintomas neurológicos imediatos? 

Dr. João Pedro Bidart - Qualquer alteração aguda de fala em uma pessoa deve ser considerada como uma emergência médica e o paciente tem que ser encaminhado à Emergência para afastar causas mais graves de alteração, incluindo o Acidente Vascular Cerebral, que pode ser revertido se identificado em tempo hábil. Picos de pressão extremos também podem causar alterações de fala, motoras e sensitivas, mesmo não sendo um AVC. 

Quais são os sintomas que devem ser considerados como um “alerta vermelho” imediato?

Dr. João Pedro Bidart - Diversos sintomas podem ser interpretados como alerta vermelho. Tontura, visão turva e formigamento, na maioria dos casos, são alterações benignas, mas, em alguns casos, podem representar situações mais graves. O recomendável sempre é procurar atendimento caso os sintomas se apresentem de forma abrupta e persistente, para afastar causas mais importantes.

O que fazer e o que NÃO fazer quando alguém tem uma convulsão, desmaia ou parece não compreender o que é dito?

Dr. João Pedro Bidart - Em primeiro lugar, deve-se solicitar ajuda, encaminhando para atendimento médico de Emergência. 

Não se deve colocar objetos na boca do paciente enquanto estiver convulsionando. Deve-se, apenas, virar o paciente de lado - com cuidado e segurança - para evitar a aspiração, aguardando a convulsão ceder enquanto a ajuda não chega. 

Desmaios e dificuldade de compreensão devem ser considerados eventos de maior gravidade até que se prove o contrário, devendo ser encaminhados com brevidade para afastar causas cardiológicas ou neurológicas. 

Apenas aguardar os sintomas se resolverem de forma passiva pode ser considerado arriscado já que pode se perder um tempo precioso no tratamento destes pacientes.

Pressão alta, diabetes, privação de sono, álcool e estresse podem ser fatores que aumentam o risco de eventos súbitos?

Dr. João Pedro Bidart - Todos estas condições estão relacionados ao risco de eventos súbitos, como AVCs, infartos e outras situações de gravidade, devendo-se reduzir fatores considerados evitáveis, como álcool e fumo, e manter as doenças crônicas sob controle através de medicamentos e modificações do estilo de vida.

É possível prevenir situações de emergência na rotina clínica de um hospital?

Dr. João Pedro Bidart - Sim é possível. Muitas vezes, alterações iniciais em sinais vitais podem ser reconhecidas antes de os pacientes seguirem para um estágio mais grave. 

Dentro dos hospitais, é necessário ter times de resposta rápida e equipe multiprofissional treinada para o reconhecimento precoce da deterioração clínica, podendo prevenir uma situação de maior emergência.

Como a Emergência do Hospital Moinhos de Vento contribui com os pacientes? Quais são as maiores demandas, atualmente?

Dr. João Pedro Bidart - A Emergência do Hospital Moinhos contribui com os pacientes, por contar com profissionais treinados e habilitados para o atendimento das emergências médicas em geral. 

Dispõe 24 horas de médicos emergencistas, neurologistas e cardiologistas presenciais para o atendimento das enfermidades de emergência. 

Também conta com recursos e escala de sobreaviso de diversas especialidades para apoio das patologias específicas de maior emergência.

Que mensagem o senhor gostaria de deixar aos nossos leitores, neste sentido?

Dr. João Pedro Bidart - A mensagem mais importante que deixaria para os leitores é que na dúvida de qualquer modificação de comportamento ou sintomas, melhor recorrer à Emergência do que perder um tempo precioso no atendimento de uma patologia que pode ser mais severa.

Fonte: Dr. João Pedro Bidart (CRM 30604) é chefe do Serviço de Emergência do Hospital Moinhos de Vento.

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