Nos últimos dias, a imprensa nacional investiga se há risco de surto de Mpox  no Brasil, antes conhecida por varíola dos macacos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) explica que a doença é caracterizada por lesões na pele que geralmente se concentram no rosto, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés. Já o Ministério da Saúde esclarece que a patologia é uma infecção viral e a sua transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões da pele ou secreções da pessoa infectada, assim como com objetos compartilhados.

Para saber mais sobre esta doença, sintomas, transmissão, sua nova variante e como se proteger deste vírus, o blog Saúde e Você conversou, com exclusividade, com a Dra Bruna Rosa Fabro, médica infectologista do Serviço de Controle de Infecção do Hospital Moinhos de Vento. Acompanhe, abaixo, na íntegra:

1) Uma vez que foi registrado um caso no Rio Grande do Sul e outros no país, existe algum risco de surto da doença?

Dra Bruna Rosa Fabro: Nos últimos dias, foi confirmado o primeiro caso de Mpox no estado desde o início de 2026. No cenário nacional, casos esporádicos da infecção têm ocorrido todos os anos desde 2022 e, portanto, os números apresentados até o momento ainda não nos permitem caracterizar a situação como um surto. Mas, certamente, precisamos estar alertas para a possibilidade de um aumento dos casos nas próximas semanas.

2. Passado o Carnaval, será que devem aparecer novos casos em Porto Alegre e outras cidades brasileiras?

Dra Bruna Rosa Fabro: A transmissão do Mpox acontece principalmente pelo contato direto com lesões da pele ou secreções da pessoa infectada. O Carnaval é uma festividade em que ocorrem grandes aglomerações, com contato muito próximo entre as pessoas. Então, sim, podemos considerar como um momento em que a transmissão é facilitada.

3. Como se proteger da Mpox?

Dra Bruna Rosa Fabro: É muito importante ficarmos atentos aos sinais e sintomas da doença. Ao notá-los, devemos procurar atendimento médico o mais rápido possível, evitando o contato físico com outras pessoas até a avaliação. Outras orientações básicas são: 

  • Higienizar as mãos com frequência;
  • Evitar o contato direto e o compartilhamento de objetos de uso pessoal com pessoas que apresentem lesões suspeitas ou diagnóstico confirmado.

4. Quais são os principais sintomas?

Dra Bruna Rosa Fabro: Os sintomas iniciais podem ser febre, dor no corpo, cansaço e aumento dos gânglios. As lesões na pele, que são o principal sinal da doença, surgem principalmente no rosto, nas mãos, nos pés e na região genital, mas podem aparecer em qualquer lugar do corpo. Essas lesões podem ser planas ou levemente elevadas, preenchidas com líquido claro ou amarelado, podendo formar crostas.

5. A que especialista recorrer em caso de suspeita? Quando procurar atendimento médico?

Dra Bruna Rosa Fabro: Como dito anteriormente, ao notar sintomas da doença, principalmente lesões compatíveis, a pessoa deve procurar atendimento médico em unidades básicas ou pronto atendimentos.

6. Que tipo de tratamento é oferecido atualmente, já que não existe um remédio específico para a doença?

Dra Bruna Rosa Fabro: Atualmente, o tratamento dos casos de Mpox inclui medidas de suporte clínico com o objetivo de aliviar sintomas, prevenir e tratar complicações. A maioria dos casos apresenta sinais e sintomas leves a moderados, que são autolimitados. A resolução das lesões costuma acontecer em até 14 dias. Porém, ressalto que a avaliação médica é essencial tanto para o diagnóstico, quanto para a identificação de sinais de gravidade ou complicações.

7. E qual é a diferença da nova variante da Mpox detectada no Reino Unido e na Índia?

Dra Bruna Rosa Fabro: Esta variante de Mpox é uma nova cepa resultante da combinação genética de duas cepas já existentes e que infectaram o mesmo indivíduo. Como só foram identificados 2 casos no mundo até o momento, é cedo para sabermos quais são as implicações clínicas deste achado, assim como as diferenças na transmissibilidade.

 

Fonte: Bruna Rosa Fabro (CRM 41670 / RQE 40199 / RQE 40197) é médica infectologista do Serviço de Controle de Infecção do Hospital Moinhos de Vento.

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