A saúde auditiva é fundamental para a qualidade de vida. Entretanto, é frequentemente negligenciada. O Relatório Mundial sobre Audição, da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima que, em 2050, cerca de 2,5 bilhões de pessoas viverão com certo grau de deficiência auditiva e, hoje, 1,1 bilhão de jovens estão em risco de perda auditiva permanente por ouvirem música em volumes altos, durante longos períodos de tempo. No Brasil, conforme o Ministério da Saúde, quase 6 milhões de indivíduos têm algum grau de surdez, caracterizada como dificuldade ou impossibilidade de ouvir. 

Assim, o Blog Saúde e Você ouviu as dicas de como preservar e melhorar a audição, elaboradas pela Dra. Daniela Pernigotti Dall’Igna, médica otorrinolaringologista do Hospital Moinhos de Vento. Acompanhe, abaixo:

 

Os fones de ouvido são, realmente, prejudiciais e devem ser evitados?

Os fones de ouvido não são necessariamente prejudiciais, desde que usados da forma correta. O que causa dano à audição é a intensidade do som e o tempo de exposição, não o simples uso do fone.

 

Quais são as dicas para usar os fones de ouvido sem trazer problemas à audição?

As pessoas podem usar fones sem risco, se algumas regras forem respeitadas:

- Prefira volumes abaixo de 60% da capacidade máxima do aparelho;

- Evite ouvir por mais de 60 minutos seguidos, sem dar uma pausa;

- Dê preferência a fones que cobrem a orelha, isolando o ruído externo melhor do que os intra-auriculares, pois assim você não precisa aumentar tanto o volume.

 

A diminuição do ruído externo pode ajudar a manter a saúde auditiva?

Sim. A diminuição do ruído externo é uma ótima opção, porque reduz a necessidade de aumentar o volume em ambientes tumultuados. Também permite ouvir música ou chamadas em tom mais baixo. É útil em viagens de avião, transporte público e escritórios barulhentos. Ainda pode ajudar a reduzir a fadiga auditiva ao longo do dia. 

 

O cancelamento do ruído externo é útil?

Sim. Entretanto, o cancelamento do ruído externo não é uma licença para ouvir em volume alto por longos períodos. É importante manter pausas de descanso auditivo. Em ambientes onde é necessário manter a atenção (como em ruas movimentadas ao fazer ciclismo e corrida, por exemplo), o uso de fones pode ser perigoso, pois reduz a percepção de sons ao redor.

 

Quando há risco de prejudicar a audição com o uso de fones de ouvido?

O uso frequente de fones, em volume alto, por tempo prolongado pode prejudicar a audição. E também em ambientes muito ruidosos (como ônibus, metrô e academias), pois a tendência é aumentar ainda mais o volume nestes locais. Crianças e adolescentes são especialmente vulneráveis, pois a exposição cumulativa pode causar perda auditiva precoce. 

 

Afinal, fones de ouvido são vilões ou aliados?

A mensagem principal é: fones de ouvido podem ser aliados, mas exigem uso responsável.

 

A perda auditiva acomete apenas a população da terceira idade?

Não. A perda auditiva não é exclusividade de idosos. Pode acontecer em qualquer idade, desde bebês e crianças, por alterações congênitas ou otites de repetição, adolescentes e adultos, por exposição a ruídos, otites crônicas, otosclerose, doenças crônicas (como diabetes e hipertensão), uso de algumas medicações ou doenças autoimunes, entre muitas outras causas. 

 

Quais são os primeiros sinais de alerta de perda auditiva?

São sinais de alerta de perda auditiva a dificuldade em entender conversas, especialmente, em locais com barulho de fundo. Além disso, pedir para repetir o que acabou de ser dito ou para falar mais alto tornam-se hábitos comuns ou aumentar muito o volume da TV ou do celular. Os familiares costumam perceber antes da própria pessoa.

 

Quais são os outros sinais de alerta de perda auditiva?

Outros sinais são a presença de zumbido no ouvido, esforço para ouvir, com sensação de cansaço ao tentar acompanhar diálogos, e o isolamento social, em que a pessoa evita conversas, reuniões ou telefonemas por não compreender bem o que é dito.

 

Jovens e músicos estão entre os grupos mais vulneráveis à perda auditiva?

Exatamente! Jovens e músicos estão entre os grupos mais vulneráveis à perda auditiva induzida por ruído. Os jovens estão em risco pelo uso frequente de fones de ouvido em volumes altos, exposição a baladas, shows, festivais e academias com som intenso. A perda auditiva causada por ruído é cumulativa e irreversível. Pequenas lesões repetidas vão se somando ao longo dos anos. Muitas vezes os sintomas como zumbido após uma festa são ignorados, mas já representam um sinal de sobrecarga no ouvido interno.

Quanto aos músicos, ficam expostos a sons intensos diariamente, seja em ensaios, apresentações ou gravações. Instrumentos de sopro, percussão e música amplificada podem gerar volumes acima de 100 dB, nível prejudicial mesmo em exposições curtas. Sem proteção adequada, o risco de perda auditiva é muito maior, além de zumbidos e hipersensibilidade a sons.

 

Como os músicos podem se proteger?

Os músicos podem se proteger usando protetores auriculares especiais, que reduzem o volume sem distorcer a qualidade do som, fazer pausas auditivas após longas exposições e realizar audiometrias periódicas para monitorar a saúde auditiva.

 

É possível reverter a perda auditiva causada por ruído?

A perda auditiva induzida por ruído é geralmente irreversível, porque o dano acontece nas células ciliadas do ouvido interno; estruturas sensoriais que não se regeneram. Há caminhos para frear a progressão, amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

 

Qual é a importância do diagnóstico precoce?

O diagnóstico precoce é fundamental. Quanto antes a perda auditiva for detectada, maior a chance de adotar medidas eficazes de proteção e prevenção de agravamento. Também contribuem algumas mudanças de hábitos, com redução  da exposição ao ruído, uso de protetores auriculares, pausas auditivas e controle de doenças associadas (como hipertensão, diabetes e colesterol).

 

Como é feita a reabilitação auditiva?

A reabilitação auditiva pode ser feita, dependendo da causa e do grau de perda, através de procedimentos cirúrgicos, aparelhos auditivos, que hoje são discretos e de alta tecnologia, capazes de recuperar de forma significativa a capacidade de comunicação, além de próteses implantáveis, como implante coclear, que é indicado em casos mais graves, quando os aparelhos auditivos já não oferecem benefício suficiente, ou próteses ancoradas no osso. 

Nem toda perda auditiva tem cura, mas existem tratamentos eficazes para cada situação, seja para restaurar a audição, seja para melhorar a qualidade de vida. O tratamento do zumbido, por exemplo, pode incluir aparelhos auditivos com gerador de som, terapias sonoras e técnicas de reabilitação auditiva. O importante é não ignorar os sinais e buscar avaliação médica precoce.

 

Como é o cuidado com a saúde auditiva no Hospital Moinhos de Vento?

No Hospital Moinhos de Vento, o cuidado com a saúde auditiva é integral e personalizado. O Serviço de Otorrinolaringologia oferece tecnologia de ponta para diagnóstico preciso, incluindo exames específicos, como audiometria, imitanciometria, BERA e otoemissões acústicas, sempre realizados por uma equipe especializada de otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos.

São oferecidos serviços que vão desde orientações preventivas até adaptação de aparelhos auditivos modernos e tratamentos cirúrgicos, como implante coclear, garantindo opções para diferentes graus de perda auditiva e surdez, visando a reintegração social e a melhora da qualidade de vida. 

O objetivo é devolver às pessoas a capacidade de ouvir e de se comunicar plenamente, com acolhimento humano e excelência em cada detalhe do cuidado.

 

E, afinal, quais são as dicas para proteger a saúde auditiva?

1) Evite sons em volume excessivo. É difícil definir um limite seguro para o uso do fone, mas a regra dos “60/60” pode ser uma boa recomendação: ou seja, não ouça música com fones acima de 60% do volume, por mais de 60 minutos seguidos.

2) Proteja-se em ambientes ruidosos (como shows, festas, estádios e até no trânsito intenso), que podem atingir níveis de som prejudiciais. Caso não tenha como evitar, use protetores auriculares quando exposto a ruídos fortes.

3) Cuide da higiene, mas sem exagero. O cerúmen (ou cera) é uma proteção natural do ouvido. Evite usar hastes flexíveis ou objetos para “limpar” o canal auditivo, pois podem causar lesões ou empurrar a cera para dentro.

4) Mantenha hábitos saudáveis, exercícios físicos e boa circulação sanguínea, que ajudam na saúde do ouvido interno. 

5) Controle doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, que podem afetar a audição.

6) Esteja atento aos sinais de alerta: dificuldade para entender conversas, necessidade de aumentar o volume da TV ou zumbidos frequentes são sinais de possível perda auditiva. Procure um otorrinolaringologista para avaliação.

7) Faça exames preventivos, mesmo sem sintomas, pois é importante realizar avaliações auditivas periódicas, principalmente após os 50 anos de idade (ou antes, em pessoas com histórico familiar de perda auditiva).

 

Fonte: Dra. Daniela Pernigotti Dall’Igna (CRM 27707) é médica otorrinolaringologista do Hospital Moinhos de Vento.

Agradeçemos pela sua inscrição!