Nem sempre o tempo biológico acompanha os planos de vida. Diante disto, o congelamento de óvulos surge como uma possibilidade para mulheres que desejam adiar a maternidade. Mas, afinal, quando ele é indicado e como funciona este método? Para compreender o tema, o blog Saúde e Você conversou com a Dra. Isabel de Almeida, coordenadora técnica do Centro de Fertilidade e Reprodução Assistida do Hospital Moinhos de Vento.

O congelamento de óvulos ainda é considerado experimental?

Dra. Isabel de Almeida - Não. Em 2012, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva anunciou que o congelamento de óvulos não era mais uma técnica experimental. Até esta data, o procedimento era direcionado a mulheres com câncer que poderiam ficar inférteis, após tratamentos com quimioterapia ou radioterapia. A partir daquele ano, o congelamento de óvulos se estendeu a pessoas que não tinham problemas de saúde, mas que desejavam postergar a gestação. Assim, elas seriam capazes de gerar filhos usando seus próprios óvulos, em um momento da vida onde a idade já poderia ter comprometido a qualidade e a quantidade dos mesmos.

Como está a procura pelo congelamento de óvulos no país?

Dra. Isabel de Almeida - No Brasil, o congelamento para postergação da maternidade vem crescendo, uma vez que a idade das mulheres na primeira gestação também vem aumentando. Embora não haja garantia absoluta de que uma mulher que congele os seus óvulos ficará grávida e terá seu bebê, esta pode ser uma excelente alternativa para quem tem planos futuros de gestar e sabe que as chances diminuem com a idade. 

Qual é o momento certo para congelar os óvulos?

Dra. Isabel de Almeida - O momento ideal para o congelamento é até os 35 anos, embora muitas mulheres optem em fazê-lo com mais idade,  porque recebem informações ou realizam a tomada de decisão mais tarde.

O que é preciso fazer, caso haja interesse em congelar os óvulos?

Dra. Isabel de Almeida - Para as mulheres que têm interesse neste assunto, é importante buscar informações com especialistas em Reprodução Assistida, avaliar sua reserva ovariana e definir qual é a melhor opção para o seu caso. Enquanto isto, medidas que ajudam a proteger a fertilidade são: manter um estilo de vida com atividade física, alimentação saudável, peso adequado, sem cigarro ou álcool em excesso.

É possível doar óvulos para parentes?

Dra. Isabel de Almeida - No Brasil, a doação de gametas (óvulos e espermatozoides) não pode ter caráter lucrativo ou comercial e os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa. Entretanto, desde junho de 2021, o Conselho Federal de Medicina passou a aprovar a doação de gametas para parentesco de até 4º (quarto) grau, de um dos receptores (primeiro grau – pais/filhos; segundo grau – avós/irmãos; terceiro grau – tios/sobrinhos; quarto grau – primos), desde que não incorra em consanguinidade. 

Desta forma, uma mulher que não tenha condições de gestar com seus próprios óvulos, poderá contar com uma familiar que se disponha a ser doadora. Da mesma forma, homens que não tenham produção de espermatozoides, mas tenham parentes de até quarto grau que queiram doar, poderão utilizar o sêmen deste familiar para a realização de procedimentos de reprodução assistida.

Potenciais doadores precisam passar por exames de saúde?

Dra. Isabel de Almeida - Sim. É importante ressaltar que os potenciais doadores também serão avaliados como se fossem doadores de Bancos de Sêmen e Óvulos e vão precisar fazer exames médicos e laboratoriais para avaliação de sua saúde, bem como da quantidade e da qualidade dos gametas, seguindo os mesmos critérios que as instituições especializadas utilizam. Isto é muito importante para as taxas de sucesso e para a segurança da futura gestante e de seu bebê.

Na prática, como é feito o congelamento de óvulos?

Dra. Isabel de Almeida - Inicialmente, a mulher marca uma consulta com um especialista em reprodução assistida para conversar sobre o assunto. Depois, realiza exames de sangue e de imagem para avaliação. Caso decida congelar seus óvulos, usualmente a estimulação dos ovários inicia no período menstrual e, em média, são necessários dez dias de medicação. Durante este tempo, serão realizadas algumas ecografias transvaginais para avaliar o crescimento dos folículos ovulatórios. Ao fim, será marcada a aspiração e o congelamento dos óvulos, que é um procedimento ambulatorial, com uma sedação anestésica. Neste dia, é recomendado repouso.

Por quanto tempo os óvulos podem ficar congelados?

Dra. Isabel de Almeida - Os óvulos, uma vez congelados, poderão ficar guardados por um tempo indeterminado, até o momento em que a mulher decida utilizá-los. Nem todas as pacientes usarão seus óvulos. Algumas engravidarão espontaneamente e não necessitarão desta reserva, outras mudarão seus planos de maternidade e muitas utilizarão os óvulos guardados. Assim, congelar óvulos pode ser uma ótima alternativa para mulheres que poderão ficar inférteis em função de tratamentos médicos e também para aquelas que pretendem adiar a maternidade.

Gostou do tema e quer saber mais? Agende uma consulta com os especialistas do Centro de Fertilidade e Reprodução Assistida, pelos telefones: (51) 3314-3434 ou (51) 3537-8476 e (51) 99896-3090. O endereço fica na Rua Tiradentes, número 333, Bloco B, 5° andar, em Porto Alegre (RS).

Fonte: A Dra. Isabel de Almeida (CRM 16091) é coordenadora técnica do Centro de Fertilidade e Reprodução Assistida e coordena o projeto “Valorize a sua Fertilidade”.

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