Você sabia que a demência hoje é um dos principais fatores de incapacidade e dependência entre os idosos? Estimativas mundiais indicam que mais de 57 milhões de pacientes vivem com esta doença. Todos os anos, cerca de 10 milhões de pessoas recebem o diagnóstico, sendo o Alzheimer a forma mais comum desta enfermidade, chegando a 70% dos casos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para compreender mais sobre o Alzheimer, o blog Saúde e Você fez uma entrevista pingue-pongue com o Dr. Wyllians Vendramini Borelli, neurologista e head do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento.
Qual é a importância do diagnóstico precoce do Alzheimer?
Dr. Wyllians Vendramini Borelli - A importância do diagnóstico precoce é a possibilidade de alterar o curso da doença. Quanto antes isto acontece, “mais cérebro” conseguimos salvar. A ideia é semelhante a identificarmos um tumor maligno em fases iniciais. Há 30 anos, as primeiras medicações surgiram. Atualmente, conseguimos tratar e potencialmente curar antes de ele gerar uma metástase.
Quais são os novos tratamentos para o Alzheimer oferecidos aqui no Brasil?
Dr. Wyllians Vendramini Borelli - Hoje, contamos com um medicamento Donanemabe (ou Kisunla), que é usado, necessariamente, durante o período precoce do Alzheimer. Além da medicação, ressaltamos também o potencial da prevenção, que funciona melhor em casos mais precoces. E esta é uma grande questão.
Quais são os prós e contras do medicamento Donanemabe?
Dr. Wyllians Vendramini Borelli - De forma resumida, podemos dizer que o Donanemabe “limpa a placa amilóide do cérebro”, aquela que causa o Alzheimer. Até então, não existia nenhum outro medicamento que modificasse a doença, e este é o primeiro aprovado no Brasil. De forma benéfica, reduz a progressão do Alzheimer. Como contraindicações, podem ocorrer microssangramentos ou edema cerebral ("inchaço no cérebro") em algumas pessoas. Por isso, a indicação adequada é essencial.
Como é possível realizar o diagnóstico precoce do Alzheimer?
Dr. Wyllians Vendramini Borelli - É possível realizar o diagnóstico precoce do Alzheimer com uma avaliação clínica muito detalhada e assertiva (ou correta), com exames de biomarcadores (como beta-amiloide), no líquido cefalorraquidiano (LCR) e na tomografia por emissão de pósitrons amiloide (PET). A grande questão é que nem todo mundo se beneficia. É necessário algum tipo de declínio para solicitarmos estes exames.
O esquecimento ainda é o principal sinal do Alzheimer?
Dr. Wyllians Vendramini Borelli - Sim. A perda de memória é o principal sintoma da doença. Assim, a pessoa começa a esquecer objetos, datas importantes e até a senha do cartão de crédito, por exemplo.
Então, necessariamente, o paciente com Alzheimer começa a perder a memória como sintoma precoce?
Dr. Wyllians Vendramini Borelli - Memória é o grande sintoma do Alzheimer. Mas, em uma minoria dos casos, podem ocorrer outros sintomas. Em alguns casos atípicos, o Alzheimer pode começar com desorganização ou com alteração de fala, onde o paciente não consegue se comunicar ou tem dificuldade em compreender o que a outra pessoa está falando. Entretanto, na grande maioria das vezes, o indivíduo começa com a perda de memória.
Quais são os fatores de risco para as demências?
Dr. Wyllians Vendramini Borelli - Os 14 fatores de risco para demências apontados por pesquisadores da revista científica The Lancet e entidades de Saúde são:
Qual é a importância da prevenção para quem tem o Alzheimer?
Dr. Wyllians Vendramini Borelli - Diria que a prevenção precisa ser feita para todo mundo, seja para quem tem a doença ou mesmo para quem não tem nenhum sintoma clínico, pois sempre beneficia. Quanto antes, melhor. A grande questão é que ela precisa ser personalizada.
E que dica o senhor gostaria de deixar aos nossos leitores?
Dr. Wyllians Vendramini Borelli - Se tiver algum tipo de sintoma mencionado aqui, busque atendimento. Infelizmente, 80% dos casos de demência ainda não são diagnosticados. Caso não tenha nenhum sintoma, busque prevenção.
Fonte: Dr. Wyllians Vendramini Borelli (CRM 42970) é neurologista e head do Centro da Memória do Hospital Moinhos de Vento.

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