De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 45.511 atendimentos em prontos-socorros relacionados a envenenamentos que evoluíram para internações e até óbitos, nos últimos dez anos. Foram cerca de 379 registros ao mês e 12,6 casos ao dia. Ou seja, a cada duas horas uma pessoa deu entrada em uma Emergência no Brasil em consequência de ingestão de substâncias tóxicas ou que causaram reações graves. Para sanar dúvidas e contribuir para reverter este tipo de caso, o Blog Saúde e Você entrevistou o Dr. João Pedro Bidart, chefe do Serviço de Emergência do Hospital Moinhos de Vento. 

Como identificar alguns sinais básicos de envenenamento?

Dr. João Pedro Bidart - Os sinais de envenenamento podem variar conforme a substância ingerida ou manipulada. Vão desde sintomas neurológicos, como tontura, confusão mental e dor de cabeça até alterações de comportamento, com náuseas, vômitos, sudorese excessiva e palpitações, entre outros.

E o que fazer em caso de suspeita de envenenamento?

Dr. João Pedro Bidart - Em primeiro lugar, devemos afastar a pessoa do contato com o veneno (seja gás ou líquido). Também é preciso chamar ajuda de um serviço médico especializado. Ainda é possível entrar em contato com o Centro de Informações Toxicológicas (CIT) do Rio Grande do Sul, pelo número  0800-721-3000, que pode orientar sobre a dose tóxica e ações de primeiros socorros, mesmo em domicílio.

Quando é preciso recorrer à uma Emergência Hospitalar?

Dr. João Pedro Bidart - Depende do quê e de quanto de substância tóxica ou veneno foi inoculado (ou absorvido pelo organismo). Por isto, se torna importante saber o quê e quanto foi ingerido ou inalado para que o CIT possa orientar de maneira adequada se o paciente deve procurar serviço hospitalar ou não.

E caso a pessoa esteja longe de um serviço hospitalar, o que fazer?

Dr. João Pedro Bidart - É necessário manter a pessoa em local arejado, afastá-la do contato com o produto venenoso e procurar ajuda imediatamente. Se houver contato do veneno com a pele ou com os olhos é indicado lavar abundantemente com água corrente e, mais uma vez, tentar contato com um serviço especializado ou CIT.

Neste sentido, quais são suas recomendações de “kit de primeiros socorros” para levar em viagem? Alguma medicação antialérgica serve contra envenenamentos? De que tipo?

Dr. João Pedro Bidart - É sempre recomendável levar um kit de primeiros socorros básico, composto por analgésicos, antitérmicos e antialérgicos. Apesar dos antialérgicos não servirem como antídotos para venenos em si, eles podem ser utilizados para suspender reações anafiláticas, até que se consiga atendimento adequado.

E quais são as dicas para as donas de casa, que podem se sentir envenenadas por algum produto químico usado para a limpeza geral? O que fazer para evitar esta situação?

Dr. João Pedro Bidart - Sempre manter o ambiente arejado e utilizar o equipamento de proteção adequado, como luvas e muitas vezes máscaras e óculos para evitar o contato. Se a pessoa sentir os sintomas (descritos anteriormente), é preciso se afastar do produto, lavar a área de contato com água corrente e procurar atendimento, se necessário.

E quais são as recomendações finais que o senhor gostaria de deixar aos nossos leitores sobre o tema?

Dr. João Pedro Bidart - É importante cuidar para manter medicamentos e produtos de limpeza sempre fora do alcance de crianças. Qualquer eventualidade mais séria é recomendado ligar para o Disque-intoxicação (0800-722-6001), criado pela ANVISA, para receber uma instrução adequada.

Fonte: Dr. João Pedro Bidart (CRM 30604) é chefe do Serviço de Emergência do Hospital Moinhos de Vento.

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