Doenças

Doenças alérgicas e a relação com a troca de temperatura e estação

As constantes oscilações de temperatura e mudança de estação climática são motivos de preocupação entre pessoas com doenças alérgicas. Este ano, o mês de agosto chegou a registrar mínimas de – 4,5°C e máximas de 30°C. Somado a isso, em setembro inicia a primavera, época que alguns ficam em estado de alerta, fugindo das possíveis crises respiratórias.

Conforme o pneumologista do Serviço de Pneumologia e Cirurgia Torácica do Hospital Moinhos de Vento, Igor Gorski Benedetto, existem casos em que os sinais alérgicos aparecem apenas em determinadas épocas do ano. Essas situações são chamadas de alergias sazonais. “Elas são causadas por polens ou gramíneas relacionadas à determinada estação do ano (primavera, por exemplo). Outra causa de reações são os esporos de mofo que surgem em maior quantidade quando o tempo está úmido”.

De modo geral, as doenças alérgicas ocorrem como uma resposta exagerada do sistema de defesa do organismo (imunológico) após exposição aos alérgenos (substâncias causadoras das reações alérgicas). As alergias podem variar de acordo com os agentes causadores, após: contato com a pele, como é o caso da dermatite ou urticária; ingestão de algum alimento ou medicamentos; e inalações, ocasionando as dificuldades respiratórias, as mais comuns hoje em dia são rinite alérgica e asma.

Agentes causadores e sintomas

Entre os principais agentes causadores das reações encontram-se: o pólen, o mofo, insetos (ácaros domésticos, baratas, entre outros), ou alérgenos de animais (pelos, penas ou saliva). Segundo o especialista, é fácil identificar o fator desencadeante, basta observar o surgimento de sintomas após contato, como congestão nasal (obstrução), coriza (corrimento nasal), espirros, coceira no nariz ou nos olhos, coceira na garganta, olhos vermelhos, rouquidão e dificuldade para dormir devido aos problemas respiratórios.

Hereditariedade

Quanto à predisposição, o pneumologista alega que está mais associada a componentes hereditários. “Alguns estudos sugerem que há um risco maior de desenvolver a enfermidade quando a criança nasce de cesariana, entretanto, na maior parte das vezes, há o diagnóstico de condições alérgica nos pais. Dessa forma, o componente hereditário parece ser o mais importante. Conforme a predisposição individual, de acordo com a exposição ao longo do tempo a determinado alérgeno, poderá desenvolver indícios típicos de alergia”.

Asma na atualidade

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que existem 300 milhões de indivíduos com asma em todo o mundo com um crescimento projetado de mais 100 milhões para a próxima década. Para Igor Gorski Benedetto, o aumento progressivo de pacientes com asma pode estar relacionado à diminuição das respostas imunes ao longo da vida, já que as famílias estão tendo mais cuidados com a higiene e menos contato com bactérias, consequentemente. Também são indicativos, o aleitamento materno, os tipos de dieta, a obesidade e a poluição.

Tratamento

Atualmente existem medicamentos via oral para o tratamento de reações alérgicas. No contexto de doenças especificas, como a asma e a rinite, é indicado o uso de remédios contínuos, para evitar futuras crises. Caso as reações alérgicas não sejam administradas corretamente, há risco de falta de ar e chiado no peito e pode servir de impulso para uma crise de asma grave. “Se você tiver sintomas sempre no mesmo período do ano ou relacionado a uma exposição específica, fale com seu médico para orientações. Algumas pessoas podem prevenir realizando os cuidados certos”. O especialista ainda alerta para a necessidade de praticar atividades físicas regularmente.

Fonte: o especialista do Serviço de Pneumologia e Cirurgia Torácica do Hospital Moinhos de Vento, Igor Gorski Benedetto.