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A saúde do coração na era digital

A inteligência artificial, a partir da fusão do mundo físico com o digital e o biológico, aliada ao big data, é apontada como a grande nova revolução da humanidade. Na saúde, a expectativa é de que o impacto seja expressivo. Estamos próximos de a tecnologia ser usada para compilar milhares de informações e auxiliar as decisões médicas, envolvendo diagnósticos corretos, escolhas de tratamentos mais adequados e prognósticos.

Ao mesmo tempo que a tecnologia proporciona avanços,amaciça informação não qualificada, sem filtro e desprovida de crivo científico, pode nos levar a uma cegueira para os reais avanços da ciência na saúde. No dia a dia, observamos mudanças de comportamentos de pacientes baseados em informações imprecisas. Um exemplo: as estatinas foram testadas com alto rigor científico em milhões de pessoas e são responsáveis por expressiva redução de doenças cardiovasculares.

Ao pesquisarmos sobre esses medicamentos na Internet, encontramos seis vezes mais resultados exaltando os riscos do fármaco do que seus benefícios, solidamente consolidados. Nos consultórios, começamos a conviver com o paradoxo de discutir cultura digital bizarra e não científica. E o mais alarmante: a suspensão dessa medicação está relacionada com aumento do risco de infarto e problemas vasculares agudos. Nas últimas duas décadas, a qualificação no tratamento de doenças cardiovasculares reduziu drasticamente as mortes. Não podemos esmorecer, pois as doenças circulatórias são a primeira causa de morte nos países desenvolvidos e também no Brasil.

Muitos dos fatores de risco – como hipertensão arterial, diabetes mellitus e dislipidemia – apresentam volume elevado. Lembrado mundialmente em 29 de setembro, o Dia do Coração é um momento para a reflexão sobre nossa cultura e nosso estilo de vida. Muitas vezes, resultam em obesidade e sedentarismo. Para cuidar de nossos corações, é imprescindível contarmos com dados científicos atualizados e conectados a um cérebro treinado. As melhores decisões médicas são embasadas em conhecimento e ciência, permeadas por empatia, compaixão e humanismo – habilidade que nenhum supercomputador desenvolveu.

Carisi A. Polanczyk – superintendente médica-adjunta do Hospital Moinhos de Vento

*Artigo publicado no Correio do Povo no dia 28/09 

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