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Você já agendou a sua mamografia?

A única forma de prevenção do câncer de mama é através do diagnóstico precoce. “A mamografia de rotina ainda é o exame recomendado para o diagnóstico precoce, associada a ecografia mamária e ao exame de um especialista. Este conjunto, consegue ter uma acuidade de quase 100%. Podem ocorrer falhas em exames, inclusive na mamografia, em até 15%, e é por isso que o raciocínio clínico de um mastologista é tão importante. Apenas a expertise deste profissional pode informar se a mamografia com um resultado normal é aceitável ou não, sendo assim necessário prosseguir com a investigação”, explica Maira Caleffi, mastologista e chefe do Núcleo Mama do Hospital Moinhos de Vento.

Entretanto, mesmo que muitos brasileiros reconheçam a importância da mamografia, apenas 46,2% das mulheres o fizeram, pelo menos uma vez ao ano, sendo que 27% da população feminina nunca realizou o exame. Os dados são da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA) que, em alusão ao Outubro Rosa, lançou uma campanha que reforça a necessidade de incentivar as pessoas a buscarem o diagnóstico precoce e estarem atentas aos seus fatores de risco.

A campanha convida você para fazer três perguntas que podem salvar a sua vida, de seus familiares ou amigos. Por isso, questione:

Você tem observado suas mamas?

Conhecer a sua mama significa se apalpar, pode ser na hora do banho ou em frente ao espelho. Quando uma pessoa está familiarizada com a sua mama, consegue detectar com mais facilidade o surgimento de alguns sinais que apontam para a necessidade de buscar atendimento médico com urgência, são alguns: sangramento pelo mamilo, uma ferida que incomoda na ponta do seio, um caroço ou uma íngua grande abaixo do braço.

“O tecido mamário é dinâmico e, por isso, ninguém melhor que a mulher para conhecer a sua mama. É por esse motivo que nós estimulamos o autoconhecimento”, reforça a médica.

Mudanças nas mamas podem ocorrer no período menstrual, na fase menarca (primeira menstruação), na época da gravidez e até na menopausa. Por isso, o autoconhecimento deve começar no momento que a pré-adolescente ou adolescente tiver conhecimento do seu corpo. Mesmo que sejam poucas as mães que conversem com suas filhas sobre o assunto, o ideal é que ocorra a orientação.

“Os homens também podem ter câncer de mama e pouco se fala no Outubro Rosa, mas é importante que eles também sejam questionados pelas três perguntas. O autoconhecimento, por exemplo, é importante, pois às vezes o homem chega no consultório com um quadro bem mais avançado que muitas mulheres por desconhecer do fato”, destaca a mastologista.

Se um homem tiver algum sintoma na mama deve procurar um mastologista. Estes profissionais são especializados em qualquer problema da glândula mamária, de qualquer sexo e em qualquer idade. De preferência em centros especializados que vão agilizar o diagnóstico.

Você já marcou seus exames anuais?

Apesar do Ministério da Saúde falar que é acima dos 50 anos, e de dois em dois anos, isso não é uma coisa que na prática aconselhamos. Acima dos 40 anos o risco começa a crescer e, no caso dos jovens com histórico familiar da doença, o exame precisa ser ainda mais cedo”, aponta Maira.

Em razão da pandemia e por medo de contrair o vírus, muitas pessoas deixaram de marcar suas consultas. É indispensável destacar que em muitos locais, em especial no Hospital Moinhos de Vento, foram criados fluxos específicos para o atendimentos de pacientes suspeitos e confirmados com a Covid-19.

“As pessoas precisam procurar ajuda, estamos super abertos para agilizar e fazer com que não se exponham ao vírus. O trabalho do Núcleo Mama nunca parou, tivemos muitos diagnósticos nessa pandemia, mas não tantos quanto antes. Então, infelizmente, a gente calcula que tem muita gente em casa, esperando a pandemia acabar para procurar ajuda. Não deixem de buscar atendimento, venham! Estamos abertos das 8h às 20h”, argumenta Caleffi.

Você conhece seus fatores de risco?

Além de conhecer as suas mamas, você também precisa conhecer os seus fatores de risco. A hereditariedade, por exemplo, não passa de um total de 10% dos casos, ou seja, 90% estão associados a outros motivos. Embora todos os cânceres sejam de alterações genéticas, nem todos são hereditários.

“O fator mais conhecido é o histórico familiar. Porém, acima dele estão a obesidade, a falta de exercícios e o sedentarismo, o uso abusivo de bebidas alcoólicas, de hormônios e de reposição hormonal. Outro agravante, até maior que a obesidade, é a idade. Quanto maior a idade, maiores são a chances de desenvolver câncer de mama”, conclui a especialista.