Parto da princesa Kate Middleton retoma discussão sobre o número de cesáreas no Brasil

Um dos fatos mais comentados dos últimos dias foi o parto da duquesa de Cambridge, Kate Middleton. A princesa apareceu publicamente cerca de 7 horas depois saindo da maternidade onde deu à luz, o que despertou novamente uma discussão bastante importante no Brasil acerca do número de cesáreas. Atualmente, segundo a Associação Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a taxa de cesarianas em instituições particulares chega a 84%.

A fim de transformar essa realidade e diminuir a quantidade de cesarianas desnecessárias – sem que haja indicação médica para tal -, o Hospital Moinhos de Vento, junto a outros hospitais e maternidades, participa da 2ª fase do programa Parto Adequado, iniciativa da ANS, em conjunto com o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI).

“Em maio deste ano o programa completa o primeiro ano da 2ª fase, deixando de ser um projeto e passando a integrar toda a instituição, não só a maternidade. Dentro da realidade da maternidade Helda Gerdau Johannpeter, no momento, alcançamos um aumento de 52% em partos naturais em comparação ao ano de 2015, considerando o grupo de pacientes classificadas como de baixo risco e maior possibilidade de ter um parto natural (Classificação de Robson 1 a 4)”, afirma o Dr. Marcos Wengrover Rosa, chefe do Serviço Médico de Ginecologia e Obstetrícia.

Em fevereiro deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também se posicionou e publicou, a partir de 56 recomendações baseadas em evidências, novas diretrizes sobre padrões globais de atendimento às mulheres grávidas, com o objetivo de reduzir o uso desnecessário de algumas intervenções médicas, tais como a aplicação de oxitocina para acelerar o trabalho de parto e as cesarianas.

Na 1ª fase do Parto Adequado, as ações dentro do hospital Moinhos de Vento foram voltadas para mudanças na estrutura física da maternidade. “Houve a incorporação de protocolos assistenciais recomendados pela Organização Mundial de Saúde, que incluem, por exemplo, mobiliário para que a paciente possa ter o parto vertical”, conta o Dr. Wengrover. Ampliaram-se ainda as possibilidades para o parto natural, como a aplicação de técnicas não farmacológicas para o alívio da dor, além de tornar os espaços mais acolhedores.

Além disso, houve a reformulação do conteúdo passado às mulheres e seus acompanhantes no curso de preparação para o parto, a adoção do plano de parto como um canal de diálogo entre gestante e seu obstetra e, sobretudo, a qualificação complementar da equipe de assistência. “Isso fez com que o acolhimento às pacientes melhorasse muito. Ela tem que se sentir bem, acolhida e protegida por enfermeiros, técnicos, médicos plantonistas. E isso veio muito fortemente já no início do projeto”, explica a enfermeira Grete Raubach, liderança no Centro Obstétrico e Maternidade.

Sensibilizar as futuras mães a respeito das vantagens do parto natural ainda é um grande desafio. “Sentimos que a mudança está a caminho, lenta e gradual, mas contínua, assim como os resultados do programa”, observa o Dr. Marcos Wengrover.

Sobre parto adequado e outros assuntos relacionados à maternidade acesse a revista Bebê Moinhos.

Fonte: Dr. Marcos Wengrover Rosa, chefe do Serviço Médico de Ginecologia e Obstetrícia.