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Estresse é uma das principais causas de crises epiléticas em adultos

Conforme último levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde, em 2017, aproximadamente 50 milhões de pessoas têm epilepsia no mundo. Estima-se que a incidência da doença na população ocidental seja de 1 caso para cada 2.000 pessoas por ano, segundo informações do Ministério da Saúde no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, de 2014. A mesma publicação destaca que a probabilidade geral de uma pessoa ter uma crise epilética ao longo da vida chega a cerca de 3%.

Com o avanço da tecnologia e o surgimento de novos medicamentos, a qualidade de vida tem melhorado e são muitos os quadros em que o paciente é curado. É o caso do ator Danny Glover que foi diagnosticado com epilepsia ainda novo e realizou o tratamento em tempo. Há 35 anos ele não apresenta mais crises epiléticas.

A epilepsia pode ser causada pela malformações congênitas do cérebro, malformações vasculares, infecções no sistema nervoso central, tumores, traumatismos cranianos, comprometimento da oxigenação do cérebro no momento do parto e doenças cerebrovasculares. Nessas situações é possível ocorrer descargas elétricas excessivas e anormais no cérebro, o que acarreta no distúrbio.

Os principais fatores desencadeantes das crises de epilepsia em adultos são: o estresse emocional, mas também condições de desequilíbrio metabólico como a hipoglicemia, hipóxia ou hiponatremia – baixo açúcar no sangue, baixa concentração de oxigênio no sangue e baixo nível de sódio no sangue, respectivamente. Em crianças, um quadro de febre alta pode provocar convulsões.

As manifestações clínicas das crises epilépticas variam de acordo com a localização da descarga elétrica no cérebro. Segundo a função exercida pela região afetada na crise, podem surgir manifestações motoras (abalos num lado do corpo), autonômicas (salivação e taquicardia), psíquicas (medo e ansiedade), auditivas (zumbidos e ruídos diversos), olfatórias (sensação de cheiro ruim) ou visuais (alucinações).

“A característica comum a todas essas formas de manifestação é que são sintomas de início abrupto, evoluindo e frequentemente culminando numa crise generalizada, devido à propagação da descarga de uma região para todo o cérebro. Outra característica importante é que são episódios de breve duração, quase nunca superiores a dois minutos, seguidos muitas vezes de confusão mental e dificuldade para se comunicar”, explica José Augusto Bragatti, médico do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento.

O que fazer quando alguém está tento uma crise epilética?
Durante uma crise epiléptica é importante, primeiramente, manter a calma e ajudar o indivíduo, cuidando especificamente para que ele não se machuque. “Deve-se proteger, sobretudo a cabeça de choques com superfícies duras e virar o rosto do paciente para o lado, evitando que possa aspirar um eventual vômito. Nunca se deve introduzir objetos na boca do indivíduo. Ao término do evento, é importante falar com calma, explicar o ocorrido e aguardar que o paciente recobra sua consciência normal”, esclarece o profissional.

Caso seja a primeira crise do paciente, a equipe médica precisa ser procurada para que se possa fazer um diagnóstico assertivo. Esta definição é feita através de uma combinação de elementos obtidos no histórico clínico, eletroencefalograma e, eventualmente, ressonância magnética do encéfalo – centro do sistema nervoso. A partir disso, os tratamentos disponíveis para o indivíduo com epilepsia são medicamentos anticonvulsivantes, cirurgia em casos selecionados, estimulação do nervo vago – que passa por todos os órgãos e tem papel fundamental no sistema – e dieta cetogênica – ingestão mínima de carboidratos e rica em gordura – também em casos selecionados e que não responderam aos medicamentos.

Principais tratamentos
Para o controle da doença e até a cura, os pacientes contam com mais de 20 opções de medicamentos anticonvulsivantes e a estimulação elétrica cerebral. Outra alternativa é o tratamento cirúrgico que, com os avanços tecnológicos, permitem que o médico possa operar apenas a região doente, poupando todo o restante de tecido cerebral normal. A OMS destaca que pessoas com epilepsia respondem ao tratamento aproximadamente 70% do tempo.

 

Fonte: Dr. José Augusto Bragatti (CRM: 13234), médico do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento.