No ano passado, 600 mil brasileiros entraram na lista de pacientes oncológicos, segundo o Instituto Nacional do Câncer. No Rio Grande do Sul, foram 55 mil novos casos apenas em 2018. Em breve, os tumores devem ultrapassar as doenças cardiovasculares como principal causa de morte no nosso Estado.

O tipo de câncer mais comum nas mulheres é o de mama. Nos homens, o de próstata. Não é por acaso que dois meses – o Outubro Rosa e o Novembro Azul – congregam ações em todo o mundo para conscientizar a população sobre prevenção e combate. A possibilidade de diagnósticos mais precoces permite cada vez mais o controle e a cura.

Graças ao avanço da medicina, as chances de sobreviver ao câncer aumentaram: em média, oito entre dez pessoas superam a enfermidade. No entanto, alguns efeitos indesejados perduram. Estudos indicam que até 80% das mulheres e 70% dos homens têm sua fertilidade comprometida, por exemplo. Tratamentos como químio, rádio e imunoterapia podem afetar a produção de espermatozoides e causam a impossibilidade de obtenção de óvulos – levando à menopausa imediata ou abreviando o tempo de vida dos ovários.

Para os homens, a preservação da fertilidade é mais simples. O procedimento, consolidado há décadas, é o congelamento de amostras de sêmen. Nas mulheres, os processos são mais complexos e envolvem medicações para estimular a ovulação e técnicas de congelamento de óvulos, tecido ovariano e embriões. As técnicas passam, agora, a ser oferecidas também no Moinhos de Vento, considerado um dos cinco hospitais de excelência do País, segundo o Ministério da Saúde.

Com o controle efetivo de doenças crônicas, a assistência médica busca também garantir a boa qualidade de vida após o tratamento. E o sonho de se ter filhos, no caso de sobreviventes do câncer, se torna uma realidade. Tudo isso graças ao trabalho integrado de especialistas em Fertilidade e Oncologia, que acompanham desde o diagnóstico até a reprodução assistida. Mesmo que os procedimentos para preservação da fertilidade não sejam garantia absoluta de gestação, esta pode ser uma grande – e, muitas vezes, única – esperança.

Fonte: Eduardo Pandolfi Passos, Chefe do Serviço de Fertilidade e Reprodução Assistida do Hospital Moinhos de Vento
Publicado em 18.11 pelo Jornal do Comercio.

Share on LinkedInTweet about this on TwitterShare on FacebookEmail to someone