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Compreendendo a tristeza e o medo após o câncer de mama

O término do tratamento oncológico de câncer de mama deveria ser um momento de viver somente a sensação de alívio e gratidão. Nem sempre é assim. O medo e a tristeza acompanham esse período. Mesmo com um desfecho favorável, as preocupações com o futuro e a sensação de estar desprotegida emergem com maior intensidade. As mulheres podem vir a se sentir culpadas e cobradas – por elas mesmas, seus médicos, amigos e familiares – pela intranquilidade que sentem e manifestam.

O final do tratamento é acompanhado pela sensação de ter vivenciado uma batalha que deixa cicatrizes.

O final do tratamento é acompanhado pela sensação de ter vivenciado uma batalha que deixa cicatrizes. Algumas visíveis, outras invisíveis, porém muito presentes no aspecto emocional. O medo e a tristeza são sentimentos que estão entre essas cicatrizes emocionais. Não significam depressão ou ansiedade, porque esses são transtornos psiquiátricos e apresentam alguns sintomas que necessitam de abordagem mais ativa – psiquiátrica, psicoterapêutica ou ambas. A tristeza é uma das formas de expressão das vivências de dor pelas perdas decorrentes do diagnóstico. Não se trata somente da perda da mama ou do cabelo. Ocorrem perdas subjetivas como a da ilusão de invulnerabilidade que temos.

Conviver com a sensação de vulnerabilidade é uma das razões para a intensificação do medo. Isso ocorre porque o câncer de mama, na maioria dos casos, não vem acompanhado de dor ou sintomas significativos que poderiam ser percebidos como o início de uma ameaça à vida. São os tratamentos e os efeitos colaterais que vão mostrando “estar doente”. Isso implica que, no futuro, a ausência de sintomas ou dor não mais significa que pode estar tranquila em relação a sua saúde.

Após o tratamento, o medo pode adquirir um caráter paralisante, impedindo inclusive de pensar planos e projetos. À medida que for possível retomar aspectos da vida anteriores ao diagnóstico e desenvolver novos interesses, o medo até pode se manter presente, mas não mais de forma predominante.

Vínculos afetivos construídos antes e durante o tratamento somados às condições emocionais prévias ao diagnóstico serão o ponto de partida para as mulheres conseguirem redimensionar o medo e a tristeza e assim construírem projetos para a vida.

Lucy Bonazzi
Psicóloga do Núcleo da Mama do Hospital Moinhos de Vento
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