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Câncer: o imperador de todos os males

Todas as gerações enfrentaram grandes males: passamos pela peste negra, sífilis, gripe, tuberculose. Lutamos contra a AIDS, o diabetes, as doenças cerebrovasculares. Mas talvez o câncer ainda seja a peste do século 21.

Está em Porto Alegre, participando do Fronteiras do Pensamento, o Dr. Siddhartha Mukherjee. Ele é médico, oncologista clínico e escritor. Escreveu um livro de estrondoso sucesso, vencedor de um prêmio Pulitzer, no qual faz uma biografia do câncer e o denomina de “O imperador de todos os males”. Ele apresenta de forma acessível e apaixonante a história da doença e das principais vitórias que estamos obtendo.

O câncer provém da alteração do funcionamento dos genes que comandam as células do nosso organismo. Então, o médico também se dedicou a estudar a história da espetacular descoberta dos genes e dos mecanismos da hereditariedade – a transmissão das coisas boas e ruins que herdamos de nosso antepassados. E resumiu isso da mesma forma espetacular num segundo livro: “O gene, uma história íntima.”

O ser humano convive com o câncer há muitos séculos. Temos descrições de pessoas com câncer em papiros do Egito antigo. É uma entidade maligna de difícil compreensão. Células de nosso próprio organismo ganham vida própria, ficam autônomas. Adquirem superpoderes e não obedecem mais aos nossos comandos. Mesmo sem compreender as causas do câncer, desenvolvemos tratamentos mais ou menos eficazes: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Tratamentos associados a toxicidades que nos assustam, às vezes, tanto quanto a própria doença.

Mas a névoa começa a se dissipar. Fizemos grandes progressos. Entendemos que combater o tabagismo, sedentarismo e excesso de peso são formas importantes de prevenção. Temos oportunidades de diagnóstico precoce de câncer de mama, intestino, próstata, pele e colo uterino. Passamos a curar três de cada quatro desses casos mais iniciais.

O câncer não é uma doença, mas muitas. Agora temos tecnologia para estudar rapidamente os genes das células normais e cancerosas. As células do câncer têm pontos fracos. Cada novo ponto fraco descoberto representa uma chance, uma nova medicação mais específica. Descobrimos que nossas células imunológicas têm a capacidade de enfrentar o câncer. Então, avançamos na imunoterapia: estamos reprogramando nosso sistema imunológico e injetando diretamente dentro de nossas células mais munição para vencer as células doentes. Podemos identificar famílias de risco e prevenir canceres hereditários. E as vitórias vão aparecendo e se somando.

O dr. Mukherjee conhece como poucos esse universo. Em “O imperador de todos os males – uma biografia do câncer”, ele cita o hematologista William Castle: “Aliviar seus efeitos é uma tarefa diária, curá-la, uma ardente esperança”.

Fonte: Sérgio Roithmann, Chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento
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