Nossa História

EM 1914 FOI LANÇADA A PEDRA FUNDAMENTAL DO HOSPITAL ALEMÃO, HOJE, HOSPITAL MOINHOS DE VENTO.

A comunidade alemã de Porto Alegre acalentou durante anos o sonho de construir uma instituição de saúde
nos moldes dos melhores hospitais europeus. Seu objetivo era uma organização que trabalhasse sob os princípios de higiene e limpeza mas, principalmente que fosse aberta a toda à comunidade, sem distinção de credo, etnia ou situação social.

Este ideal começa a tomar forma em 1914, quando foi lançada a pedra fundamental do então Hospital Alemão. Hoje, um século depois, a Instituição combina o legado de humanidade das religiosas alemãs que durante décadas administraram o Hospital, a vocação para a evolução médica e assistencial e um foco profundo na busca pela qualidade. Veja abaixo os principais marcos de nossa história.

Fonte:  Espaço Memória Amarílio Viera de Macedo (EMAVM)

 

1912
1914
1919
1924
1927
1927
1937
1942
1952
1958
1959
1967
1968
1970
1974
1974
1974
1974
1976
1978
1979
1983
1985
1990
1990
1990
1992
1994
1997
1997
1998
2002
2003
2003
2004
2004
2005
2005
2008
2011
2012
2013
2013
2014
2015
2015
2015
2015
2016
2017
2018
1912 2018
1912

Em 19 de setembro, foi aprovado, na assembleia de Verband, por unanimidade, o início da arrecadação de fundos para a construção do Hospital Alemão. Jornais em língua estrangeira e periódicos que circulavam na comunidade ajudaram a promover a arrecadação.

1914

A arrecadação foi um sucesso e possibilitou a compra do terreno para o futuro Hospital. Assim, no dia 21 de junho, com expressiva participação da comunidade germânica residente na capital, além de autoridades brasileiras, membros consulares, religiosos, representantes de escolas, da imprensa e das associações teutas, foi realizado o lançamento da pedra fundamental, martelada pelo Dr. José Steidle (foto).

1919

Com o início da Primeira Guerra Mundial, as obras para a edificação do Hospital Alemão tiveram que ser paralisadas, pois boa parte dos materiais utilizados era trazida diretamente da Alemanha. Nesse período de paralisação, foram feitas obras de nivelamento do terreno, construção de muros e plantação de algumas árvores. Com o fim da guerra, foi necessária uma nova campanha de arrecadação para retomada das obras.

1924

Com os novos fundos arrecadados, foi possível a retomada da construção do Hospital Alemão, sob supervisão do recém-chegado mestre de obras, o arquiteto alemão Adolf Müller, especialista em construções de hospitais.

1927

Concluídas as obras, no dia 02 de outubro desse ano, a comunidade teuto-rio-grandense, com orgulho, inaugura o Hospital Alemão, futuro Hospital Moinhos de Vento.

1927

Nesse ano, foi aberto o curso de Enfermagem do Deutsches Krankenhaus (Hospital Alemão). As turmas eram compostas por oito a dez jovens, que recebiam lições de Enfermagem Geral, Médico-Cirúrgica, Anatomia e Fisiologia, e, nos primeiros anos, as aulas eram ministradas em alemão para alunas oriundas, em geral, de colônias teuto-brasileiras.

1937

Através de campanhas de arrecadação e do apoio da comunidade, foi realizada a primeira reforma: a ampliação da maternidade.

1942

Em face das pressões do Estado Novo e das implicações derivadas da 2ª Guerra Mundial, a assembleia da Associação Mantenedora, de 02 de fevereiro desse ano, acolheu a sugestão de substituição do nome. Assim, a Instituição passou a ser denominada Hospital Moinhos de Vento, em alusão à região na qual está situada.

1952

Ao comemorar 25 anos de história, o Hospital Moinhos de Vento celebrou a capacidade de se manter com recursos próprios.

1958

Com o Decreto Federal n° 45.113, o curso da Escola de Enfermagem do Hospital Moinhos de Vento foi oficialmente reconhecido.

1959

Em 1959, iniciou-se uma série de ampliações, e renovações tecnológicas equiparam o Hospital com berçário, salas de Raios X e de Partos. As Salas de Cirurgia receberam modernos sistemas de refrigeração e aquecimento, além de nova mesa operatória, aparelho de broncoscopia, microscópio, condutos de oxigênio e ar comprimido.

1967

No ano em que o Hospital Moinhos de Vento celebrava 40 anos, foi inaugurado o Centro Cirúrgico e Obstétrico, com importante doação de equipamentos feita pela Agência Central Evangélica de Cooperação para o Desenvolvimento: Evangelische Zentralstelle.

1968

Um dos momentos mais marcantes da história da Medicina no Brasil aconteceu no Hospital Moinhos de Vento: o primeiro reimplante de mão, realizado pelo Dr. Jorge Fonseca Ely. Os resultados do procedimento foram extremamente satisfatórios e foram publicados nos Anais do Congresso da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, que ocorreu em Melbourne, na Austrália, em 1971.

1970

Afrani Cerdeira, Ruben Knijnick e Loreno Brentano (foto) realizaram, no Hospital Moinhos de Vento, o primeiro transplante de rim do Rio Grande do Sul.

1974

O Centro de Tratamento Intensivo Adulto do Hospital Moinhos de Vento foi inaugurado no dia 21 de maio e teve como grande idealizador o Dr. Felisberto Ferreira. O novo espaço possuía a capacidade de 10 leitos, dotado da mais moderna aparelhagem de monitorização, ventilação mecânica e hemodiálise da época. O Hospital Moinhos de Vento foi pioneiro no estado do Rio Grande do Sul na aplicação de avançadas técnicas de ventilação mecânica no Centro de Tratamento Intensivo.

1974

Nesse mesmo ano, a partir da autorização concedida pela Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Sul, a Escola começou a oferecer os cursos Técnicos em Enfermagem e em Radiologia Médica, em nível médio, pioneiros na educação gaúcha.

1974

Os médicos Gilberto Barbosa e Jair Saadi realizaram as primeiras cirurgias cardíacas. Os médicos Amaro Ferreira Damasceno (foto), Joel Halpern e José Danesi colocaram a primeira prótese total de quadril.

1974

Inaugurou-se o heliponto do Hospital Moinhos de Vento, disponibilizando à Instituição estrutura para atender emergências.

1976

Foi criado o Serviço de Controle de Infecções (SCI), o segundo existente no Estado, coordenado pela irmã Úrsula Gilgen e pelo Dr. Nilton Brandão, com inspiração no modelo Center of Diseases Control, de Atlanta (EUA).

1978

Com o passar dos anos, o Hospital Moinhos de Vento continuou crescendo. Nesse ano, houve a inauguração das atividades do Centro Clínico Ramiro Barcelos, atual Bloco A.

1979

Nesse ano, começou a funcionar o Centro de Radiologia, com 1.100m², exclusivamente para abrigar o Serviço. Era composto, na época, por oito salas de raios, com destaque especial para Hemodinâmica e Cinecardioangiografia (estudo radiológico e hemodinâmico do coração).

1983

Foi implantado o Cardiolab, propondo-se, basicamente, à realização de exames cardiológicos por métodos não invasivos. E também a implantação dos Serviços de Pneumologia, Neurofisiologia, Medicina Nuclear, Engenharia Clínica e Laboratorial do Sono.

1985

Em 22 de outubro, foi inaugurado o Centro de Neonatologia, uma unidade de tratamento intensivo com capacidade para 40 recém-nascidos, suprindo a necessidade de atendimento materno-infantil de bebês com enfermidades graves.

1990

Em 30 de março, foi inaugurado o novo Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Moinhos de Vento, dando início a uma nova fase em termos de terapia intensiva. Considerado, à época, um dos mais modernos e bem equipados do país, o novo CTI passou a dar prioridade à privacidade dos pacientes, ao mesmo tempo em que conferia avanços substanciais, no que diz respeito aos aspectos humanos e sociais.

1990

Com a presença de diversas autoridades e convidados, foi inaugurado o Serviço de Ressonância Magnética, no dia 25 de julho. Instalado em uma área de 285 m², a aplicação desse método de diagnóstico se dava, na época, nas áreas de Neurologia, Sistema Nervoso Central, além de Ortopedia, da Cardiologia e da Medicina Interna.

1990

Em 20 de setembro, foi inaugurado o Serviço de Angiografia Digital Cardiovascular. O equipamento pertencia à última geração lançada nos Estados Unidos. Novamente, o Hospital se antecipava e colocava em funcionamento no mercado o primeiro equipamento digital de angiografia, o qual permitiria o atendimento de pacientes portadores de patologias vasculares em geral, com especial ênfase na área de Cardiologia.

1992

O médico Alcides José Zago realizou, no Hospital Moinhos de Vento, a primeira Aterectomia Coronária, uma alternativa no tratamento de cardiopatia isquêmica. A técnica era feita, na época, em apenas quatro hospitais brasileiros, já que necessitava de um aparelho de cineangiografia com alta definição de imagem e apurada técnica profissional.

1994

Como forma de possibilitar um intercâmbio de experiências e medir o grau de evolução do Hospital Moinhos de Vento em direção a uma administração voltada para a qualidade, a Instituição assinou um termo de adesão ao Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP).

1997

Nesse ano, o Hospital adotou a Praça Júlio de Castilhos. A revitalização incluiu projeto paisagístico e renovação da infraestrutura elétrica e hidráulica, do espelho d’água, do calçamento, dos bancos, das lixeiras e dos sanitários públicos.

1997

Esse ano marcou também a inauguração do Centro de Recuperação Obstétrica, somando tecnologia, tranquilidade e conforto, oferecendo aos pais e ao bebê a partilha de afeto no momento mais importante da vida familiar.

1998

A Emergência do Hospital Moinhos de Vento foi oficialmente inaugurada oferecendo alta qualidade de atendimento, com avançados recursos tecnológicos, equipes médicas especializadas, equipes de retaguarda e elevador exclusivo ligando a ala de Emergência aos principais serviços do Hospital, possibilitando um rápido e qualificado atendimento ao paciente grave.

2002

O Hospital Moinhos de Vento comemorou 75 anos com a inauguração do novo Centro de Diálise e da nova área de recuperação para pacientes anestésicos cirúrgicos.

2003

Inauguração do Instituto de Educação e Pesquisa (IEP), com a finalidade de proporcionar o desenvolvimento de investigações científicas, tecnológicas e da educação em saúde.

2003

Como procedimento inédito, o primeiro transplante hepático realizado no Hospital Moinhos de Vento garantiu o retorno à vida de um jovem de 23 anos.

2004

Quando o Hospital completou 77 anos, foi inaugurado o Centro Clínico Tiradentes (atual Bloco B), onde foram implementadas as atividades dos Centros de Cardiologia e Oncologia.

2004

Nesse ano, ocorreram a inauguração do Espaço de Saúde e Bem-Estar no Shopping Iguatemi (hoje Espaço Clínico do Hospital Moinhos de Vento Iguatemi) e criação das novas unidades de Diálise e Endoscopia.

2005

O Hospital Moinhos de Vento lançou o projeto Habitat na Ilha Grande dos Marinheiros para promover a qualidade de vida da população das Ilhas a partir de ações que envolvem saúde, educação, gestão social participativa, proteção social e ambiental.

2005

O Hospital realizou a primeira Cirurgia de Facoemulsificação, que colocou a Instituição no patamar dos melhores hospitais quanto à qualificação para esse tipo de cirurgia.

2008

Esse ano foi marcante pelo reconhecimento perante o Ministério da Saúde – juntamente com os hospitais Albert Einstein, HCor, Oswaldo Cruz, Samaritano e Sírio-Libanês – como um dos seis Hospitais de Excelência do Brasil.

2011

Foi inaugurada a Maternidade Helda Gerdau Johannpeter, trazendo inovações como a separação entre o Centro Obstétrico e o Centro Cirúrgico, com foco na segurança da mãe e do bebê, e o Hospital também recebeu um Centro de Terapia Intensiva, na UTI Neonatal (serviço criado em 1985), com 27 leitos.

2012

Ocorreu nesse ano a inauguração da nova Unidade de Endoscopia, voltada para diagnósticos dos aparelhos digestivo e respiratório, com uso de atualizados equipamentos e de tecnologias avançadas.

2013

Esse ano foi marcado pela ampliação do Centro Cirúrgico, planejado para atender aos padrões de cirurgia segura e às metas internacionais de segurança do paciente. Além disso, houve a inauguração da nova Unidade de Diálise.

2013

O Hospital Moinhos de Vento firmou acordo com o Hospital Johns Hopkins Medicine International de Maryland (EUA), possibilitando o intercâmbio de melhores práticas de assistência, pesquisa, educação e gestão.

2014

Em 4 de julho, a cidade de Porto Alegre, em especial as comunidades dos bairros Restinga, Lageado, Lami, Belém Novo, Ponta Grossa e Chapéu do Sol, celebrou a inauguração do Hospital Restinga Extremo-Sul (HRES). O lançamento contou com a presença da então presidente Dilma Rousseff.

2015

O lançamento do Serviço Premium Unique reforçou a excelência do atendimento do Hospital Moinhos de Vento, por meio da prestação de serviços exclusivos de alto-padrão.

2015

Foi inaugurado o Centro de Terapia Hematológica (TMO), especializado no atendimento humanizado e global de paciente com diagnóstico de doenças onco-hematológicas, como Leucemia, Linfoma e Mieloma Múltiplo.

2015

Ocorreu, nesse ano, a assinatura de um termo de intenções entre o Hospital Moinhos de Vento, o Grupo Zaffari, a construtora Melnick Even e a Prefeitura de Porto Alegre, formalizando o compromisso de colaborar com o desenvolvimento e a implantação de novas unidades de saúde para compor o Hub da Saúde da capital gaúcha.

2015

Início das obras do novo prédio, com 100 novos leitos, destinado às áreas de internação clínica, cirúrgica e de terapia hematológica.

2016

A inauguração do Centro de Oncologia Lydia Wong Ling, em 10 de agosto, definiu um marco na história do Hospital Moinhos de Vento. Alinhado aos padrões internacionais, o Centro oferece o que há de mais atualizado em prevenção, diagnóstico e tratamento de doença.

2017

A conquista mais emblemática desse ano foi a inauguração do novo prédio de internação, ampliando a capacidade de atendimento do Hospital em 5 mil pacientes por ano, além de 500 vagas diretas de trabalho abertas.

2018

Uma das grandes novidades deste ano é o lançamento da Faculdade Moinhos. O novo espaço de educação superior de Porto Alegre também terá oferta de mais 18 cursos de pós-graduação, 30 cursos de extensão e três fellowships já desenvolvidos pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Moinhos de Vento (IEP), que passa a integrar a estrutura da Faculdade.

GALERIA DA EXCELÊNCIA MÉDICA

A trajetória dos profissionais do Hospital Moinhos de Vento

Dr. Aloyzio Cechella Achutti

PERFIL

Nascido em 1º de julho de 1934 em Santa Maria, Rio Grande do Sul, Dr. Aloyzio Cechella Achutti é filho de Bortolo Achutti e Luiza Cechella Achutti. Casou-se em 1957 com a médica Valderês Antonietta Robinson Achutti. Ambos com ascendentes germânicos nas familias (Ele das primeiras levas de imigrantes: Böbien, Adamy, depois Link e Sebastiany e ela descende das famílias Lichtler, Robinson, Janz Michel e Muller). O Dr. Achutti têm três filhos: Luiz Eduardo (Antropólogo e Professor UFRGS), Ana Lúcia (Médica Psiquiatra) e Lúcia Helena (Jornalista e Bacharel em Direito) e os netos: Júlia, Pedro Martin, Antônio e Eduardo.

Médico formado há quase 60 anos pela Faculdade de Medicina da UFRGS, o Dr. Achutti foi professor visitante e consultor temporário de centros ligados à Epidemiologia, Saúde do Adulto, Envelhecimento e Educação em Saúde em instituições públicas do Brasil e de outros países. Foi residente-chefe da primeira turma de residência médica do Rio Grande do Sul e integrou a primeira equipe de cirurgia cardíaca do Estado. Também coordenou os primeiros programas de Controle de Doenças Crônicas em Saúde Pública no país.

Contribuição geral para a Medicina

A partir de 1986 e em mais duas ocasiões, o Dr. Achutti foi membro do Conselho Diretor da Unidade de Doenças Cardiovasculares da Organização Mundial da Saúde. Também integrou o Painel Científico da Sociedade Internacional e Federação Mundial de Cardiologia. Foi consultor temporário da Organização Pan-americana da Saúde, Organização Mundial da Saúde e Banco Mundial em oportunidades relacionadas com projetos de investigação e intervenção populacional, quase sempre ligados à Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças Cardiovasculares. Criou o Serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio e foi fundador do Departamento de Cardiologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Entre os diversos prêmios recebidos estão: Prêmio “Destaques Médicos 1988-1989, conferido pela Associação Médica do Rio Grande do Sul por serviços prestados à comunidade; Prêmio da Federação Mundial de Cardiologia “World Cardiology Award”, em 2002, em Sidney, por ocasião da assembleia geral da instituição durante o Congresso Mundial de Cardiologia; e Prêmio Mário Rigatto Amrigs 2004, como personalidade atuante no controle do tabagismo. Recentemente foi agraciado com o título de Cidadão de Porto Alegre.

Contribuição para O hospital

Membro da Comissão de Orientação Médica do Hospital Moinhos de Vento, a trajetória do Dr. Achutti está diretamente ligada à história do Serviço de Neonatologia da Instituição, desde 1960, quando a Cirurgia Cardíaca dava seus primeiros passos e se dispunha apenas do exame físico, ausculta cardíaca, eletrocardiograma e Raios X para fazer diagnósticos.

Mais tarde, o especialista passou a atuar em outras áreas do Hospital e contribuiu com novas técnicas para área da Cardiologia. Dizia na comemoração do Dia do Médico em 2007: “A Instituição avançou e hoje temos o reconhecimento público e formal e a excelência nos padrões de organização hospitalar e prática profissional, recursos tecnológicos e desenvolvimento de técnicas de primeira linha, frutificação de projetos de pesquisa científica e educacional, além do desenvolvimento de ações de responsabilidade social na assistência à saúde da população carente.”

Para o médico, o Hospital Moinhos de Vento representa muito mais do que uma entidade hospitalar. Ele ressalta que o ambiente da Casa suscita algo além da tranquilidade e segurança necessárias para facilitar a prática médica dos profissionais. “Provavelmente é o cultivo da humanização nas relações tanto entre os que aqui prestam serviços como aqueles que são servidos. Eu ousaria a dizer que esta Instituição tenta se aproximar do modelo básico da organização humana, que é a família”, finaliza.

Dr. Edgar Diefenthaeler

PERFIL

O Dr. Edgar Diefenthaeler nasceu em Porto Alegre e formou-se na Faculdade de Medicina de Porto Alegre em 1942. Sua tese de doutorado foi “Uma contribuição ao Tratamento de Queimaduras da Pele”. Ao final dos anos 50 foi o primeiro médico brasileiro bolsista da Câmara Alemã-Ibero-Americana. Fez sua formação em Cancerologia na Universidade de Munique e cirurgia oncológica na Universidade de Heidelberg. Foi professor e chefiou o Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. O médico foi um dos fundadores do Hospital Santa Rita.

Contribuição geral para a Medicina

O oncologista também foi presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia e em 1963 assumiu a direção médica do Hospital Santa Rita, onde atuou por 24 anos. Durante seis décadas trabalhou na Santa Casa de Misericórdia, grande parte desse tempo dedicado à chefia da Enfermaria 40, de cirurgia.

Ao longo de sua brilhante carreira na Medicina, o Dr. Diefenthaeler foi agraciado com importantes distinções em reconhecimento pela sua dedicação e empenho profissional.
Entre as mais importantes destacam-se:

  • Medalha do Serviço do Serviço Nacional do Câncer pelo Centenário do Nascimento do Professor Mário Kroeff, pelo reconhecimento do seu trabalho no combate ao câncer no País.

  • Destaque da Secretaria de Saúde pelo reconhecimento ao seu trabalho no Estado.

  • Título honorífico de Cidadão Emérito de Porto Alegre.

  • Recentemente a Prefeitura de Porto Alegre inaugurou a Rua Dr. Edgar Diefenthaeler, em homenagem ao pioneiro da luta contra ao câncer.

Contribuição para O hospital

No Hospital Moinhos de Vento, onde atuou por mais seis décadas, chegou a ser o médico mais antigo na ativa do Corpo Clínico, fato de que se orgulhava muito. Em depoimento à Revista Bisturi na edição comemorativa aos 80 anos do Hospital Moinhos de Vento, falou sobre a importância de estar inserido na história do Hospital. Na época, Dr. Edgar completava 65 anos de atuação na Instituição e destacou que se sentia em casa. Suas palavras foram: “Todos os meus filhos, netos e bisnetos nasceram aqui. Ainda hoje, acordo às 7h e tenho a sensação de que preciso ir trabalhar.

O Hospital é um orgulho para toda a sociedade, além de ser o melhor equipado e o mais conhecido no Brasil e no exterior”. O médico nacionalmente reconhecido como pioneiro no combate ao câncer faleceu no dia oito de fevereiro de 2009, aos 92 anos, na sua casa de veraneio em Itapeva/Torres. Um dos seus legados para o Hospital Moinhos de Vento foi a dedicação em aliviar o sofrimento humano. Considerava o seu principal ensinamento a importância em manter afinado o “ouvido clínico”. Ele acreditava que os mais jovens estão perdendo esta habilidade, prendendo-se aos exames laboratoriais. Segundo o médico, um bom relacionamento médico-paciente é a base para o diagnóstico e o tratamento a ser seguido.

Dr. Loreno Brentano

PERFIL

O Dr. Loreno Brentano nasceu em 1931, na cidade de Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul. Passou a infância e a adolescência em Roca Sales. No ano de 1947, aos 14 anos, veio para a Capital num vapor que fazia um trajeto de Estrela a Porto Alegre. Completou o curso secundário no Colégio Rosário e se formou na Faculdade de Medicina da UFRGS, em 1955. A escolha pela cirurgia foi motivada pela experiência vivenciada na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e por admiração a outros cirurgiões.

O médico é casado com a Dra. Heloisa Brentano, têm três filhos: Fernando, Alberto e Augusto e cinco netos. Um dos netos é medico e faz residência em radiologia.

Contribuição geral para a Medicina

Esteve fora de Porto Alegre por quatro anos, o primeiro em estágio no Hospital de Clínicas de São Paulo e outros três como médico em Santa Cruz do Sul. Voltou a Capital em 1960 como médico residente da enfermaria 30 da Santa Casa de Misericórdia, da qual mais tarde se tornou diretor. Em 1962 ingressou no corpo docente da Faculdade de Medicina da UFRGS como auxiliar de ensino. Em 1963 fez concurso de livre docência em cirurgia e foi promovido professor adjunto. Mais tarde conquistou a posição de professor titular em concurso público que foi muito concorrido.

Ainda, em 1963, foi selecionado por uma bolsa na Kellogg Foudation, nos Estados Unidos, que o levou como Fellow na Barnes Hospital da Washington University, em Saint Louis, Missouri. Naquela Universidade foi, ao término do estágio, contratado como “assistant professor”. Apesar dessa posição acadêmica, decidiu voltar ao Brasil. Antes passou dois meses na Faculdade de Medicina da Denver University, estagiando no Serviço do Dr. Starzl, pioneiro na cirurgia de transplante de rim e fígado nos Estados Unidos.

Retornando ao país passou a atuar como professor da Faculdade de Medicina, na Enfermaria 30 da Santa Casa. Na época era considerado Serviço modelar de Cirurgia do Estado. Paralelamente, montou um laboratório de cirurgia experimental onde realizou transplantes renais em cães, junto com o médico Dr. Walter Koff. Nesse período, atuou como preceptor de um bom número de médicos jovens que vieram a se tornar proeminentes em várias áreas cirúrgicas.

De 1980 a 1984, foi presidente do Hospital de Clinicas de Porto Alegre, numa gestão marcada pela valorização do ensino e treinamento médico dentro do Hospital Universitário.

Contribuição para O hospital

O Dr. Loreno Brentano ingressou no Hospital Moinhos de Vento como médico assistente do Hospital Moinhos, no ano de 1966, quando retornou dos EUA. Foi do primeiro grupo de médicos a ter consultório no Centro Clínico da Rua Ramiro Barcelos.

Em 1970 realizou ao lado do Dr. Afrani Cerdeira e Ruben Knijnick, o primeiro transplante renal do Rio Grande do Sul e segundo do Brasil. Também foi pioneiro ao lado da sua esposa, Dra. Heloisa Martins Brentano, na implantação da cirurgia laparoscópica no Hospital.

Dr. Brentano se orgulha de ter contribuindo com a história do Hospital ao lado dos colegas que se tornaram grandes amigos. Ele recorda dos avanços que testemunhou em cada dia da sua rotina no Hospital, em que atuou até 2008 – data da sua última cirurgia realizada na Instituição.

Dr. Guenther Von Eye

PERFIL

O Dr. Guenther von Eye nasceu no ano de 1933 em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Graduou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1959. Casou-se com Gilca Simões Pires von Eye e teve dois filhos que se tornaram médicos: Dra. Helena von Eye Corleta (especialista em Reprodução Humana) e Dr. Osvaldo Simões Pires von Eye (Nefrologista).

Ele foi assistente do cardiologista Normélio Nedel e atuou como professor universitário na UFRGS. Especialista em Medicina Interna e Cardiologia, realizou o Curso de Especialização em Medicina do Trabalho na Universidade Livre de Berlim em 1964. Integrou a primeira turma de médicos residentes em Cardiologia ao lado do Dr. Aloysio Achutti, na Enfermaria 38, serviço do Professor Eduardo Faraco da Faculdade de Medicina da URGS, na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre

Contribuição geral para a Medicina

O Dr. Guenther fez sua trajetória profissional no Hospital Moinhos de Vento, na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Sua contribuição para Medicina está representada nos 48 anos em que atuou como professor da UFRGS. Sempre com muito bom humor, o especialista deixou sua marca dentro da academia e contribuiu com a formação de centenas de estudantes. Ele fazia questão de levar os alunos para à beira do leito dos pacientes a fim de que tivessem uma visão real da profissão.

Contribuição para O hospital

O médico integrou o corpo clinico do Hospital Moinhos de Vento no período de 1958 a 2013. Dr. Guenther dirigiu o primeiro Serviço de Eletrocardiografia do Hospital durante 25 anos. Junto com os médicos Normelio Nedel e Felisberto Ferreira, colaboraram na criação do CTI de Adulto do Hospital Moinhos de Vento. Incansável profissional, relata uma ocasião durante um feriado de Páscoa ficaram sob seus cuidados 20% dos pacientes internados no Hospital. “Sempre vesti a camiseta da Instituição”, comenta. Ele sempre procurou ter um ótimo relacionamento com os colegas, promovendo num espírito de cordialidade e cumplicidade entre seus pares. Recorda do carinho e amizade que constituiu com as diaconisas, em especial a Irmãs Hilda Sturm e Arminda Stalhoefer que se tornaram grande amigas da família do médico.

O Dr. Guenther acredita que é muito importante o Hospital ter um bom relacionamento com o corpo clínico. Nessas mais de cinco décadas, testemunhou várias transformações na Instituição, mas faz questão de lembrar a importância de se manter a essência do Hospital, que desde sua fundação procura combater a discriminação religiosa e honra o trabalho social. “Muitos de nós fornecíamos algo além do diagnóstico correto ao paciente. Promovíamos a humanidade também”, ressalta. O médico revela que a empatia é um atributo que distingue e qualifica o profissional, praticando uma Medicina mais humana, que escuta e assiste o Ser Humano. Saber se colocar no lugar do paciente é uma propriedade que nem todos têm”, conclui.

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