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93 Anos de História

Quando olhamos para o Hospital Moinhos de Vento sob as lentes do presente, nos deparamos com uma instituição moderna, tecnológica, internacionalmente reconhecida e respeitada, uma organização em constante crescimento. Porém, para uma instituição desta envergadura alcançar e continuar escrevendo uma história de sucesso, buscando todos os dias atingir os mais altos e ousados objetivos, não seria possível sem antes constituir sólidas raízes. Portanto, celebrar os presentes 93 anos de história e em busca de um ainda mais brilhante futuro, convidamos a todos a olhar para o passado e conhecer as nossas origens.

No início do século XIX, a região que hoje conhecemos como Alemanha era formada por uma série de pequenos reinos e ducados. A partir da metade do século, a região passou por um processo de unificação territorial vindo a formar o Império Alemão. (Fonte: Geacron World History Maps - 1824)
Família de imigrantes alemães durante o desembarque no Rio Grande do Sul

Nossa história começou muito antes da data de fundação, com a chegada das primeiras famílias de imigrantes alemães, em 1824.

Na primeira metade do século XIX, a região que hoje conhecemos como Alemanha passava por grandes mudanças. O declínio do sistema feudal, a revolução agrícola, o aumento populacional decorrentes do movimento de vacinação durante o domínio napoleônico, e a crescente industrialização deixaram sem trabalho e moradia muitos camponeses. A possibilidade de encontrar melhores condições de vida no Novo Mundo tornou a imigração para a América uma perspectiva carregada de esperanças e anseios por novas oportunidades.

No Brasil, por sua vez, o processo colonizador e imigratório começou como política oficial do governo já com a chegada da família real portuguesa em 1808, que fugia da expansão napoleônica. No Rio Grande do Sul, as políticas imperiais tinham como objetivo povoar as terras devolutas e garantir a hegemonia nas regiões de fronteira. Além disso, havia a necessidade de formação de um exército, da ocupação de espaços vazios que propiciassem o desenvolvimento da agricultura, do comércio e da indústria, além da substituição da mão de obra escravizada pela mão de obra livre.

A tarefa de recrutar colonos coube ao major Georg Anton von Schäffer. Foi assinada por ele a primeira relação de migrantes que, em 17 de dezembro de 1823, embarcaram no navio Caroline rumo ao Brasil. Em 18 de julho de 1824, o vapor aportou em Porto Alegre para que os 39 passageiros fossem transferidos para o veleiro Protector. Uma semana depois, em 25 de julho, o grupo composto por nove famílias, em maioria lavradores e marceneiros, desembarcou no Passo de São Leopoldo, na Real Feitoria do Linho Cânhamo.

Entre 1824 e 1830, mais de cinco mil germânicos trocaram o continente europeu pelo Brasil; a maioria instalou-se às margens do Rio dos Sinos. Entre eles, estavam trabalhadores agrícolas, artesãos, funileiros, ferreiros e sapateiros. Devido aos conflitos que resultaram na Revolução Farroupilha (1833-1845), o movimento migratório foi interrompido, sendo retomado a partir de 1844. No período até 1850, registrou-se o ingresso de mais de 10 mil colonos no Vale do Rio dos Sinos.

Em 1852, a Província de São Pedro recebeu uma nova leva de imigrantes, com uma característica diferente. A falta de soldados no Exército Brasileiro durante a Guerra do Prata (1851-1852) motivou a contratação de cerca de 1,8 mil combatentes prussianos remanescentes do exército que derrotou a Dinamarca na disputa pela independência dos ducados de Schleswig e de Holstein.

Alguns dos Brummers, como ficaram conhecidos esses legionários, escolheram Porto Alegre como local de moradia e exerceram forte influência intelectual sobre a população que vivia na região. Entre eles, estavam figuras que se mostraram decisivas para a consolidação da comunidade germânica na capital da Província, como Carl Jansen, Wilhelm Ter Brüggen, Friederich Haensel e Karl Von Koseritz. Assim como tantos outros, contribuíram para o crescimento da cidade na segunda metade do século XIX, com atuação no comércio, na importação e exportação, na indústria e na imprensa, mediante a circulação de jornais em alemão.

Como a maioria desses primeiros imigrantes era de artesãos e pequenos agricultores, que receberam pequenos lotes de terras para agricultura familiar, as possibilidades de lucros eram igualmente pequenas. Desta forma, o comércio foi um caminho encontrado para ascensão social e econômica destes imigrantes, os quais encontraram a oportunidade de crescimento para suas famílias, mas que viriam a contribuir largamente para o desenvolvimento da cidade e do Estado.

A incipiente indústria e comércio rio-grandense contou com importantes contribuições vindas desses imigrantes alemães. Em 1874, em Rio Grande, Carlos Guilherme Vater, imigrante alemão, e Rheingantz fundaram a “União Fabril”, pioneira no setor da indústria têxtil no sul do Brasil. Em 1891, a metalúrgica Berta, com a entrada de Alberto Bins, ganhou caráter industrial.

 

Brummers
Bairro Fabril dos Navegantes – Porto Alegre
A J Renner
Frederico Augusto Ritter

Nesse mesmo ano, o Cel. Manoel Py, comerciante de tecidos, fundou a Cia. Fiação e Tecidos Porto Alegrense.

No mesmo período, A. J. Renner casou-se com a filha do comerciante Trein, tornou-se caixeiro-viajante e iniciou uma pequena fábrica têxtil em São Sebastião do Caí, mudando-se posteriormente para o bairro Navegantes, zona industrial de Porto Alegre. A indústria têxtil e de vestuário A. J. Renner se tornaria um dos maiores empreendimentos industriais do Brasil e viria a ter grande importância para o desenvolvimento da comunidade teuta no Rio Grande do Sul.

Em 1879, Adolfo Carlos Henrique Oderich veio ao Brasil, contratado por uma firma de fazendas de Porto Alegre, e começou suas atividades como caixeiro-viajante, fundando mais tarde, em Caí, uma casa de importação de fazendas por atacado, negócio que durou 20 anos. Em 1908, fundou junto com seu filho e com a participação da casa comercial Edmund Dreher & Cia. de parentes, também comerciantes, a firma Carlos H. Oderich.

Em 1919, Frederico Augusto Ritter abriu uma empresa individual. Descendente de três gerações de cervejeiros imigrantes alemães, Ritter se destacou ao ampliar a indústria alimentícia na região metropolitana de Porto Alegre, com sólida carreira de sucesso que chega aos dias de hoje.

João Gerdau

Em 1869, desembarcou no Brasil o imigrante alemão Johannes Heinrich Kaspar Gerdau, que ficou conhecido como João Gerdau. Iniciou suas atividades no novo país como agricultor e, posteriormente, criou a casa comercial João Gerdau & Cia. Mudou-se com a família do município de Agudo para Cachoeira do Sul, onde criou um armazém e imobiliária João Gerdau & Cia. Mais tarde, em 1893, mudou-se com a família para a cidade de Porto Alegre, acompanhado da esposa e dos três filhos, Hugo, Walter e Bertha. Na Capital, criou uma nova empresa para produção e engarrafamento de cerveja, a Gerdau & Naschold.

O nascimento do Grupo Gerdau teve origem em 1901, com a aquisição da Fábrica de Pregos e Pontas de Paris. Hugo, o filho mais velho, assumiu a empresa aos 25 anos de idade. Com o falecimento de João Gerdau, a fábrica de pregos mudou de nome para Fábrica de Pregos Hugo Gerdau. Em 1914, Hugo Gerdau participou do grupo de fundadores da Companhia Geral de Indústrias. Os irmãos, Walter e Hugo Gerdau, também fizeram parte do grupo de indústrias que criaram, em 1930, o Centro de Indústria Fabril do Estado do Rio Grande do Sul, embrião da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul – FIERGS.

Mais tarde, a filha de Hugo Gerdau, Helda, casou-se com o alemão Curt Johannpeter, que viria a exercer um importante papel no desenvolvimento do Grupo Gerdau, o qual se consolida hoje como o maior produtor de aços longos da América Latina.

Como podemos ver, o desenvolvimento industrial do Rio Grande do Sul e, principalmente, de Porto Alegre teve grande influência dos imigrantes alemães, que, com a vontade de conquistar melhores condições de vida, não mediram esforços para investir no desenvolvimento econômico da sociedade. Na medida em que cresciam social e economicamente, não esqueceram da sua comunidade e de todos os obstáculos que venceram desde que aportaram no Brasil. Foi justamente desta união, do espírito associativista da comunidade teuto-rio-grandense, que foi possível ganhar espaço e  conquistar direitos frente ao governo brasileiro. 

Desta semente do associativismo, trazida da Alemanha com as primeiras famílias de imigrantes, surgiram as primeiras sociedades e organizações alemãs no Rio Grande do Sul. Tanto no passado como nos dias de hoje, os alemães primam por ser um povo que ama se “associar”, ou seja, manter sociedades (Vereine) das mais variadas espécies, desde as “Gesangvereine” (Sociedade de Cantores) e as de “bolão”, até as comunidades religiosas. Sendo a Sociedade Germânia a mais antiga delas, fundada em 1855, por 28 fundadores, com o objetivo principal de “preservar o idioma, a maneira de ser e os costumes alemães, através do cultivo da arte e da sociabilidade”. A comunidade teuta promovia festas de caráter germânico, e teve grande apoio de parte dessas associações, como o “Turnerbund” (atual Sogipa), o “Musterreiter Club” (Sociedade dos Caixeiros Viajantes), “Sängerbund Eintracht” (Sociedade de Canto Concórdia) e muitas outras, cuja enumeração seria por demasiado extensa.

A Sogipa foi fundada por um grupo de 25 imigrantes alemães como Deutscher Turnverein (Sociedade Alemã de Ginástica) em 1867. Com a junção das sociedades Deutscher Turnverein e Turnklub, surgiu a Turnerbund. A foto, de 1892, mostra a justaposição das bandeiras, simbolizando a união entre as sociedades.
Primeira sede da Sogipa (Turnerbund), no Centro Histórico de Porto Alegre. Após reformas e ampliações, foi utilizada até o início da década de 1980. (Fonte: Acervo Memorial Sogipa)
O prédio da Deutsche Hilfsvereinschule na década de 1890
Esboço da fachada da Gesellschaft Germania (Sociedade Germânia)

Já a primeira sociedade de caráter beneficente foi a “Deutscher Hilfsverein”, fundada em 21 de março de 1858, no seio da comunidade evangélica. Tinha como principal finalidade amparar os imigrantes indigentes, arcar com suas despesas de hospitalização ou fúnebres. Entre seus fundadores, estavam os nomes de Richard Huch, Wilhelm Ter Bruegen, Alfred Schuett, Karl Hubber, Johann Paetzel, Phillip Becker, Karl von Koseritz, C. Gruenewald, Mathias Sehl e Jorde Petersen.

Além da Deutscher Hilfsverein, outras associações se estabeleceram. Em 1886, a prisão de um imigrante que jurava inocência fez por reunir sete delas: Gesellschaft Germania (Sociedade Germânia), Gesellschaft Leopoldina (Sociedade Leopoldina), Deutscher Turverein (Sociedade Alemã de Ginástica), Deutscher Schützenverein (Sociedade de Atiradores), sociedades Orfeu, Concórdia e Musterreiterclub (Clube dos Caixeiros Viajantes). As entidades promoveram um evento em prol do condenado, que teve a sua inocência provada, e enviaram uma carta a Dom Pedro II solicitando o indulto, o que foi atendido pelo imperador.

A ação conjunta e a percepção de que a união poderia ser ainda mais benéfica para a comunidade estimularam o surgimento da Verband Deutscher Geselliger Vereine (Federação das Sociedades Alemãs). Os principais objetivos da entidade eram a garantia dos direitos dos imigrantes e de seus descendentes, o incentivo ao germanismo e a prática de seus valores.

A fundação da Liga das Sociedades Germânicas tem a marca da luta da comunidade alemã diante das dificuldades encontradas no Rio Grande do Sul. As constantes adversidades vividas pelos imigrantes não impedem, porém, que eles criem suas sociedades recreativas e culturais, suas escolas e inúmeras associações nos muitos núcleos coloniais e cidades que surgem desde a primeira leva de imigrantes para São Leopoldo, em 1824. Desde o século XIX, os imigrantes alemães e seus descendentes imaginavam a possibilidade de construir um hospital no Rio Grande do Sul, que lhes desse atendimento nas horas difíceis. Edificá-lo, no entanto, dependia do apoio dessas sociedades e do empenho da comunidade alemã na divulgação do projeto e na obtenção de recursos financeiros.

As primeiras tentativas de construção de uma instituição hospitalar alemã, por parte da Deutscher Hilfsverein, da Deutsches Krankenverein (Associação de Assistência Hospitalar Alemã) e da Germanischer Hospitalverein (Associação Hospitalar Germânica), não obtiveram êxito. Foi apenas no início do século XX que esse sonho começou a ganhar forma, com a chegada ao Brasil da Frauenhilfen fuers Ausland (Ordem Auxiliadora de Senhoras para o Estrangeiro).

         Fundada em Berlim por iniciativa do superintendente-geral da Igreja Evangélica em Westfalen, em 27 de outubro de 1908, a Frauenhilfe pretendia fomentar o serviço diacônico nas comunidades luteranas no estrangeiro. Para tanto, criou-se em Münster, em Westfalen, a Casa Matriz de Diaconisas, em 1909, com o intuito de preparar profissional e espiritualmente as moças que desejavam atuar no exterior.

Igreja Nossa Senhora dos Passos e Santa Casa de Misericórdia no começo do século XX. Acervo: Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo.
Hospital Beneficência Portuguesa

A Frauenhilfe almejava estender a sua ajuda à América do Sul e enviou, em 1910, os pastores Willhelm Zöllner e Paul Cremer ao Brasil. A eles coube a missão de encontrar um local adequado para a construção de uma Casa Matriz de Diaconisas e um pequeno hospital com 12 leitos, que serviria ainda para o ensino da Enfermagem às jovens.

Naquele momento, a Verband também havia voltado a discutir essa necessidade, com o propósito de atender à comunidade germânica da Capital. Além da Santa Casa de Misericórdia, a população de Porto Alegre tinha à disposição a Sociedade Portuguesa de Beneficência, fundada em 1854, com atendimentos na edificação própria desde 1870. Havia, também, algumas pequenas casas de saúde, como a Bela Vista, do Dr. Josetti, e a Porto Alegrense, do Dr. Frederico Schmidt.

Constituir uma instituição alemã não era, portanto, um anseio amparado em uma carência de leitos, mas em outros aspectos. O primeiro era o idioma, pois o atendimento prestado por médicos, enfermeiras e auxiliares que dominassem a língua estrangeira representava um conforto maior para os imigrantes e seus descendentes. A eficiência, a organização e o primor com a higiene característicos dos teutos também eram importantes. Outro aspecto relevante era a questão de liberdade religiosa, assegurada pela perspectiva de um hospital aconfessional.

Com a visão de que, sobre esses pilares, seria possível construir uma instituição de excelência, a diretoria da Verband procurou o pastor Martin Braunschweig, que havia sido designado pastor-mor da comunidade gaúcha pelo Conselho Superior da Igreja Evangélica, sediado em Berlim. Os líderes da Verband já tinham conhecimento dos planos da Frauenhilfe de erguer a Casa Matriz e um pequeno hospital, em São Leopoldo. A intenção da conversa era negociar a transferência do projeto para a colônia alemã da Capital, proposta que foi aceita em 1912. O documento que registra a decisão informa que a Frauenhilfe se responsabilizaria pela compra e pelo pagamento do terreno no qual seriam realizadas as obras. Para tanto, o lote deveria ser escriturado em nome do Conselho Superior da Igreja Evangélica, em Porto Alegre, o qual também representava a Frauenhilfe. Caberia à Verband a arrecadação de fundos para viabilização do projeto. Tal convocação deveria ser assinada pelo cônsul alemão e pela maior quantidade de moradores da cidade.

A carta também definia como seria elaborado o Conselho Administrativo do Deutsches Krankenhaus (Hospital Alemão). Ele seria composto por seis membros: o representante permanente, como presidente do Conselho; a superiora das Diaconisas; o cônsul imperial; o presidente e o vice da Verband; e um representante dos médicos, eleito pela Verband.

Periódicos que circulavam na comunidade publicaram o pedido de colaboração em prol do hospital.
Lançamento da Pedra Fundamental
Lançamento da Pedra Fundamental
Paralisação das obras

Ficou estabelecido, ainda, que a assistência aos enfermos por um integrante de sua confissão religiosa estava assegurada. Por último, o documento esclarecia que, caso a Frauenhilfe deixasse a administração, o terreno e os prédios nele erguidos passariam à Verband. Para isso, ou a entidade restituiria o valor empregado na compra do lote, ou a Frauenhilfe devolveria o montante angariado para a construção. 

Em 19 de setembro de 1912, a proposta foi apresentada em uma extensa reunião para 16 comerciantes e proprietários de indústrias da Capital, que a receberam com entusiasmo. Em outubro, mais de 100 pessoas participaram da assembleia da Verband, a qual aprovou por unanimidade o início da arrecadação de fundos. Em 1912, quando os senhores e as senhoras da Liga das Sociedades Germânicas decidiram construir o hospital, a Ordem Auxiliadora das Evangélicas para o Estrangeiro já fizera a doação da verba para o terreno. A comissão responsável pela aquisição da área optou por um lote de 22 mil metros.

Depois de escavado o terreno para colocação dos alicerces, realizou-se, em 21 de junho de 1914, o lançamento da pedra fundamental, na presença de um grande número de pessoas da comunidade: corpo consular alemão, italiano, austro-húngaro e inglês, representante do Presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Intendente Municipal de Porto Alegre, Diretor de Higiene Pública, Presidente da Assembleia Legislativa, presidentes das sociedades alemãs, médicos, pastores, deputados, professores, jornalistas, autoridades e público em geral, representando as sociedades alemãs com seus estandartes.

No entanto, em 1914, ao irromper a Primeira Guerra Mundial, o fornecimento de cimento e ferro vindos da Alemanha foi interrompido, forçando a Liga a suspender as obras até que a situação alcançasse a normalidade. Nos primeiros tempos, os trabalhadores contratados foram mantidos e, sob o comando de Luiz Voelker, transformaram o terreno íngreme em um majestoso parque com árvores e grande variedade de plantas dispostas em terraços, com vista para o Guaíba, constituindo a área verde do bosque que hoje ornamenta o Hospital Moinhos de Vento.

Paralisação das obras
Paralisação das obras
Retomada das obras
Retomada das obras

Em 1918, com o fim do conflito, retornaram às obras. Contudo, uma nova campanha de arrecadação de fundos se fez necessária, a qual conta com a contribuição de todos os segmentos da sociedade, desde os grandes comerciantes aos pequenos agricultores e trabalhadores da região, no intuito de retomar o projeto. As obras se reiniciaram, desta forma, em 1924. Da Comissão Central, encarregada da nova construção, fizeram parte: os médicos José Steidle e Frederico Falk, o Pastor Karl Eduard Gottschald, J. Alloys Friederichs, Theo Wiederspahn, Luiz Voelker (falecido em maio de 1925), Charles Voelker, A.J. Renner, Roberto Marquardt, Adolfo Bercht, Franz Reimer, Arthur Bromberg, Jorge Pfeiffer, C.H. Schneider, Ferdinand Schlatter, Walter Presser, Feodor Jacobi, M. Reimann e o Cônsul F. Dahnhardt. Em fevereiro de 1924, o arquiteto Adolf Müller, especialista em hospitais, chegou da Alemanha e assumiu os trabalhos de continuação do Hospital Alemão. O inesperado falecimento do arquiteto Müller, em abril, conduziu Theo Wiederspahn à direção da construção.

O Hospital Alemão, no dia 12 de maio de 1925, tornou-se notícia no Correio do Povo. Os detalhes da obra apareceram na reportagem que revela um edifício de quatro andares, cujos quartos podiam receber 80 doentes de ambos os sexos, sendo 32 de terceira classe, 24 de segunda e 24 de primeira classe. Os 150 compartimentos, construídos segundo os mais modernos requisitos de higiene, destinavam-se aos quartos para pacientes e diaconisas, às salas de operações, de aparelhos de raio X, de aparelhos médico-mecânicos, de curativos, de desinfecção, à maternidade, à farmácia, ao laboratório e aos banheiros com água fria e morna.

Antes da inauguração, saíram da Alemanha as sete diaconisas dispostas a trabalhar no Hospital Alemão de Porto Alegre.  Lydia, Amalie, Aenne, Clara, Käthe, Johanna e Else partiram no dia 30 de agosto de 1927. Chegaram ao seu destino em 25 de setembro do mesmo ano. Foram recebidas pela Irmã Sophie Zink, primeira brasileira a ingressar na Casa das Diaconisas em Münster, em 1909, já nomeada diretora do futuro Hospital Alemão.

Retomada das obras
Irmã Bertha Dahm, Pastor Cremer e as sete diaconisas.
Irmã Sophie Zink

Domingo, manhã de 2 de outubro de 1927. Depois das cerimônias religiosas e das apresentações dos corais das respectivas igrejas, centenas de pessoas da comunidade rio-grandense dirigiram-se ao arrabalde dos Moinhos de Vento para a solenidade de inauguração do Hospital Alemão. Recebidos pela comissão de recepção, autoridades, médicos, comerciantes, banqueiros, industrialistas, advogados, representantes da comunidade porto-alegrense movimentavam-se em seus trajes de festa na frente do majestoso edifício da Ramiro Barcelos. Esperaram o ato inaugural, observavam o cenário, ornamento com folhagens, bandeiras do Brasil e da Alemanha e estandartes da Sociedade dos Moços Católicos Alemães, da Sociedade Germânia. Eram admiráveis a beleza e a organização da nova instituição!

Com uma belíssima cerimônia, registrada pela fotografia aérea realizada pelo hidroavião atlântico da Varig, foi inaugurado oficialmente o Hospital Alemão, um grande marco para a comunidade teuto-rio-grandense e para cidade de Porto Alegre. Fruto da união e do esforço da comunidade, ao longo dos anos o Hospital veio a crescer cada vez mais, carregando em seu DNA o espírito associativista de seus muitos fundadores, se desenvolvendo e florescendo a partir de uma base sólida e de fortes e extensas raízes. Ao completar hoje 93 anos de história, o Hospital Alemão, que desde 1942 chama-se Hospital Moinhos de Vento, celebra e se orgulha de sua história, como um dos cinco hospitais de excelência do país, internacionalmente reconhecido, sempre à frente do desenvolvimento científico, do cuidado centrado no paciente, nunca esquecendo as suas origens e seu maior propósito que é cuidar de vidas!

Inauguração do Hospital Alemão
Em 1942, o Hospital Alemão passa a se chamar Hospital Moinhos de Vento

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